O PRIMEIRO ZÉ FRAUDE E A PRIMEIRA CAMISETA LISTRADA

 

             Em 20 de fevereiro de 1962, na 31ª edição da revista Zé Carioca, o nipo-brasileiro desenhista e criador de histórias da Editora Abril, Mestre Jorge Kato, ao perceber que não conseguiria continuar criando inéditas para o papagaio, uma a cada duas semanas, optou por transformar histórias de outros personagens Disney em histórias do Zé. Teria sido isso uma ideia só dele ou de toda a equipe da Abril na época? Quem saberá?

      A verdade é que sua última história inédita havia sido “O dia em que choveu dinheiro”, publicada na revista Zé Carioca, número 537.

 

Na próxima edição da revista, ou seja, a de número 539, já surgiu a primeira história do que ficou conhecido por “Zé Fraude”, ou seja, o personagem Zé Carioca substituindo outro personagem Disney.

É bom lembrar que a partir do número 479 a revista Zé Carioca passou a ter a numeração ímpar, enquanto que a revista Pato Donald ficou com a numeração par.

Pois bem, a primeira história escolhida para se transformar em uma “Zé Fraude” foi a publicação original de outubro de 1950, de autoria do Mestre Norte-Americano Jim Pabian, intitulada “The Tagalong Pup” e estrelada pelo Mickey.

O título “The Tagalong Pup” pode ser livremente traduzido como “O Mascote que segue atrás de alguém”, o que é justamente o que o cãozinho faz com o Mickey. Já na versão nacional a história recebeu o nome de “O Cãozinho Prodígio” porque o pequeno mascote, em questão, que aqui em terras tupiniquins recebeu o nome de “Polegada”, sabe assobiar!

     

Porém, o mais intrigante e realmente curioso nessa história, que de resto já é muito conhecida pelos fãs brasileiros das revistas Abril e de suas histórias Disney, é a forma como Jorge Kato representou o papagaio nessa história.

            Observem que na história original o Mickey veste sua tradicional camisa branca de mangas curtas e sua calça comprida vermelha. Mas o Mestre Kato, ao substituir o rato pelo papagaio, não o vestiu com o tradicional paletó marrom e gravata borboleta, mas sim com uma camiseta listrada de vermelho e branco. Seria uma premonição? Pois no futuro, nas obras do Mestre Canini e de outros, como o atual Mestre Fernando Ventura, o papagaio apareceria constantemente de camiseta, tendo abandonado definitivamente o paletó marrom, o que de resto combina muito mais com o clima tropical do Brasil, não é mesmo?

            De qualquer forma, que fique aqui estabelecido que o primeiro a vestir o Zé Carioca com uma camiseta foi o Mestre Jorge Kato em 6 de março de 1962!

Cesar Brito

 

PÁGINAS TROCADAS QUE NINGUÉM VIU

              Em setembro de 1955 foi publicada pela primeira vez nos EUA a história “Safari from Komba Tomba”, desenhada pelo Mestre Tony Strobl e estrelada por Tio Patinhas, Donald, Huguinho, Zezinho e Luisinho.

             No ano seguinte, 1956, essa história saiu no Brasil, na revista “O Pato Donald” No. 255, com o título de “A Mina de Diamantes”. Nessa ocasião ela foi publicada corretamente. Mas foi a primeira e última vez que isso aconteceu.

             O caso é que nas republicações nacionais subsequentes, a saber: revista “Mickey” No. 88 de 1960, revista “Tio Patinhas” No. 171 de 1979 e revista “Disney Especial” No. 108 (Os Conquistadores) de 1988, as páginas 11 e 12 saíram invertidas, ou seja, a 12 antes da 11, como pode ser visto abaixo:

 

              Observem que no último quadrinho da página da esquerda, que é a 10, o Tio Patinhas está sentado à mesa e no primeiro quadrinho da página da direita, que seria a 11, mas na verdade é a 12, ele já está dentro da mina de diamantes carregando uma caixa com o Donald.

 

            Na sequência, depois de virarmos a página, veremos a 12, que na verdade é a 11, onde os Patos estão de volta sentados à mesa. Em seguida, da 13 em diante tudo volta ao normal.

             Bem, como já foi dito acima, a história saiu com as páginas na ordem correta na revista ”O Pato Donald” No. 255. Depois saiu com as páginas trocadas na revista “Mickey” No. 88, na revista “Tio Patinhas” No. 171 e na revista “Disney Especial” No. 108.

             Ou seja, a partir da revista “Mickey” de 1960 ninguém viu a falha e ela se perpetuou... podem conferir!

Cesar Brito

 

GULOSEIMA DESCONHECIDA

 

              Em 17 de março de 1959 foi publicada na revista “O Pato Donald” No. 384 a história “Escoteiros de Valor”, estrelada por Tico e Teco, com a participação de Donald & Sobrinhos e desenhada pelo Mestre Phil DeLara.

          Ao final dessa história ocorre a seguinte cena:

 

 

          Como se pode ver, Tico e Teco são convidados a unirem-se à família Pato para comerem QUEIJO ASSADO, mas eles preferem avelãs assadas.

              A data de primeira publicação dessa história, lá nos Estados-Unidos, é junho de 1958, sendo que no Brasil ela saiu no ano seguinte.

              Pois bem, o que há de curioso em tudo isso é o seguinte:

 Pesquisando, nos dias de hoje, na Wikipédia, no endereço:

 https://pt.wikipedia.org/wiki/Marshmallow

 podemos obter a seguinte informação:

 

“Marshmallows tostados ou assados

 

 Uma guloseima popular e tradicional nos Estados Unidos são os marshmallows assados, preparados sobre uma fogueira ou outra fonte de chama. Um marshmallow é colocado na ponta de um graveto ou espeto e aquecido rapidamente. Isto cria uma casca caramelizada com um camada líquida, derretida, subjacente. De acordo com preferências individuais, o calor aplicado pode variar de uma leve tostagem até a combustão da camada exterior, e o marshmallow tostado pode ser comido inteiro ou somente a "casca", sendo o restante tostado novamente.”

 

             Ora, como se pode ver claramente no último quadrinho, são os tais marshmallows em cubos que os Patos colocaram nas pontas de gravetos e que estão assando sobre uma fogueira, conforme a Wikipédia nos informa ser uma “guloseima popular e tradicional nos Estados Unidos” e não pedaços de queijo.

             O caso é que, aqui no Brasil, naquela época ninguém sabia o que era marshmallow e muito menos que podia ser assado sobre uma fogueira. O que era tradicional nos Estados Unidos era completamente desconhecido no Brasil.

             Portanto os tradutores, para não perder o sentido da história, interpretaram aqueles cubinhos espetados nas pontas de gravetos como QUEIJO. E até escreveram “Queijo” na lateral da embalagem. Mas hoje sabemos que eram MARSHMALLOWS!

 Cesar Brito

  

MICKEY E DONALD,

UM RATO E UM PATO À FRENTE DO SEU TEMPO

              Mickey, um rato muito à frente do seu tempo, já fazia “selfie” desde novembro de 1960, como podemos ver na figura abaixo (capa desenhada por Paul Murry).

 

  

             Para não ficar para trás, Donald fez o mesmo em 25 de abril de 1961, conforme figura abaixo (capa desenhada por Jorge Kato)!!!! E ambos utilizando uma máquina fotográfica de fole, é brincadeira?!?!? Ahahahah!!

 

 

  

Cesar Brito

 

 

58 ANOS DE ABRIL (ou DESDE Abril)

                 Há cinquenta-e-oito anos atrás a revista “O Pato Donald”, número 336, da Editora ABRIL, ostentava a capa mostrada abaixo: 

 

            Era 15 de Abril de 1958 e víamos que se tratava do aniversário de Pluto, sendo que Mickey tinha feito para ele um bolo com velas de osso, bem ao gosto de seu querido cachorro. Quantos anos será que Pluto fazia naquela época?

 

             Não sabemos, porém, 58 anos depois, no mesmo mês de ABRIL (coincidência ou não, o nome da Editora Disney no Brasil) vemos na capa da revista “Almanaque do Mickey”, número 31, novamente Mickey oferecendo um bolo de aniversário com velas de osso, da forma que Pluto adora!

 

              Bem, não sabemos quantos anos Pluto tem de idade (mais de 58 anos com certeza), mas sabemos sem sombra de dúvida que seu aniversário é em ABRIL, o mesmo mês do nome da Editora que o publica no Brasil!

 

 Cesar Brito

 

 

AS POSSES DO MICKEY

 

Assim como Carl Barks foi considerado “O Homem dos Patos”, creio que podemos considerar Paul Murry como “O Homem dos Ratos”.Barks fez do Tio Patinhas o “pato mais rico do mundo” e disso ninguém duvida. Porém Murry fez do Mickey, se não “um dos mais ricos do mundo” pelo menos um “rato de posses”. Vamos analisar:

      

Como se pode ver acima, ele mora em um belo sobrado com um confortável quintal para o seu lazer. Também possui uma cabana nas montanhas à beira de um lago piscoso para passar suas férias, como mostrado abaixo.

       

Agora, quando o assunto é “férias”, aí sim podemos avaliar os bens que o Mickey possui. Senão vejamos:

Uma escuna para navegar pelos mares do sul.

 

Um hidroplano para voar para os destinos mais bonitos e exóticos.

 

Ou ainda um outro avião, mais convencional.

 

Já para viagens terrestres ele tem um carro que pode tanto puxar o seu reboque com as bagagens como também o seu belo trailer.

      

 Um momento! Mickey tem um carro? Não! Mickey tem vários carros. Observe-se que o carro que puxa o reboque não é o mesmo que puxa o trailer. São modelos diferentes.

Parece que ele está sempre trocando de carro. Observe-se o modelo, algo simples, apresentado abaixo:

 

 E compare-se com este outro, bem mais luxuoso com para-lamas traseiros estilo “rabo-de-peixe”.

         

 E que tal este confortável conversível quatro portas para viajar com a família?

          

Bem, na maioria da vezes, Mickey dá sempre preferência aos carros conversíveis. Mas, para quando chove forte ou para quando neva, ele tem os seus sedãs.

             

E ainda para viagens mais longas, com mais bagagem, ele ainda possui uma grande perua.

 

 Mas a vida do Mickey não é só feita de férias. Para viagens à trabalho ele dispõe de um excelente bimotor.

 

E para serviços de salvamento de navios naufragados ele conta com um bom barco.

 

 

E assim, pelos exemplos apresentados, fica demonstrado que Mickey tem muitas e muitas posses. Como se costuma dizer, se ele não é rico, pelo menos é muito bem “remediado”.

E para finalizar, vejam-no pilotando um belíssimo e legítimo MG.

 

Ah, mas como aqui ele está na Europa, então provavelmente deva ser um carro alugado. Mas bem que poderia ser dele!

Cesar Brito

 

 

NOMES CURIOSOS (PARTE 2) ou

DE VOLTA AOS VELHOS TEMPOS DA EDITORA ABRIL

Vocês lembram da curiosidade denominada “Nomes curiosos”? Aquela que mostrava várias placas no quadro inicial da história “O Segredo da Ilha Perdida” de Fallberg e Murry? Na versão brasileira, publicada na Revista Mickey No. 118 de agosto de 1962, essas placas homenageavam funcionários da Editora Abril, conforme me informou o Mestre Júlio de Andrade Filho. Vejam novamente o quadro abaixo para recordarem melhor.

 

Na época eu não sabia os nomes dessas pessoas, pioneiros dos quadrinhos brasileiros que trabalhavam na redação da Editora Abril.

Mas hoje as coisas mudaram!

Na Revista Pato Donald No. 2452 de fevereiro de 2016, tal tipo de homenagem se repetiu. Porém agora, não só eu, mas todos nós conhecemos os nomes que aparecem nas placas. Observem o quadro inicial da história “O Mestre Chef” com roteiro de Terje Nordberg e desenho de Arild Midthun, apresentado abaixo.

 

Com certeza todos irão identificar os  nomes nas placas dos restaurantes, mostrados na versão brasileira, senão vejamos:

  - “Pizza do Maffia” (refere-se ao Paulo Maffia, Editor das HQs da Editora Abril).

 - “Marcelo’s Burger” (refere-se ao Marcelo Alencar, jakutinguense tradutor e articulista).

 - “El Taco de Júlio” (refere-se a Júlio de Andrade Filho, roteirista e articulista, acima citado).

 Como diz o segundo título lá de cima, é realmente uma gostosa e nostálgica volta aos velhos tempos da Editora Abril, quando, em termos de brincadeira, eles homenageavam aqueles que dedicavam seu trabalho aos Quadrinhos Disney.

 No meu entender duas justas e perfeitas homenagens, sem dúvida merecidas! Tanto a do passado quanto esta do presente!

 Que outras venham no futuro!

 Cesar Brito 

 

PRODUÇÃO CASEIRA DA EDITORA ABRIL

          Como todos sabem a Editora Abril surgiu no início da década de 1950, lançando a revista “O Pato Donald”. Aqui abaixo é mostrada uma página de uma dessas revistas (de 1956) onde se pode ver, no seu rodapé, os créditos da Editora.

E aqui, eis os mesmos créditos ampliados para que se possa ler o que lá estava escrito.

          Como se nota, ali estão citados o Diretor Responsável: G. ROSSI e o Secretário: CLÁUDIO DE SOUZA. E fica-se por aí, pois nada mais se diz desses dois personagens e nada mais se sabia deles na época.

           Mas em 1960 a Editora Abril lançou uma nova revista que ela mesma apresentou como uma “Revista Mensal de divulgação e atualidade para a juventude”. Na verdade era uma publicação de origem italiana sob licença de “Fratelli Fabbri Editori S. R. L. – Milano”, que em terras brasileiras surgiu com o título de “Diversões Escolares”. Eis aqui um típica capa dessa revista, em uma edição de Natal:

E, então, lendo os créditos dessa revista é que se descobre que o nome completo do Editor Responsável, o tal G. ROSSI, era “Gordíano Rossi”, conforme pode ser visto no lado esquerdo da imagem apresentada abaixo, que representa a primeira página de uma dessas publicações:

          Mas isso não é tudo! Outras surpresas estavam reservadas quando da publicação dessa revista, conforme o título desta “Curiosidade”.

           O caso é que ao lado das matérias italianas importadas e apenas traduzidas, outras foram criadas aqui no Brasil, como por exemplo umas que destacavam a língua portuguesa e que consistiam em diálogos entre um suposto “garoto Eduardo” e seu pai, o “Sr. Fernando”.

           E aqui vem a graça da coisa pois, afim de ilustrar essas matérias foram produzidas fotos “caseiras” em que, para representar o “garoto Eduardo” foi convidado o filho de alguém da Editora (cuja identidade se perdeu no tempo) e, para representar o “Sr. Fernando”, uma espécie de “papai inteligente e sabe-tudo” foi convocado, nada mais nada menos que o CLÁUDIO DE SOUZA. É isso mesmo! Ele, um dos primeiros funcionários da Abril, que começou como Secretário (conforme mostrado acima) inclusive ajudando o Sr. Victor Civita a colar cartazes de “CHEGOU O PATO DONALD” nos bondes de São Paulo da época e que depois chegou a Diretor das publicações infantis, sendo criador, entre tantos outros, de títulos como “Disney Especial”, “Manual Disney” e “Almanaque Disney”.

           Então para finalizar esta “curiosidade”, seguem abaixo duas fotos onde aparecem o “garoto Eduardo” e seu pai, o “Sr. Fernando”, este interpretado pelo faz-tudo CLÁUDIO DE SOUZA, como ele era nos anos 1960!

Observem como ele faz pose típica da época, ostentando gravata, colete, óculos de aros grossos e pretos e um belo bigode de pai competente! Impagável (como se dizia então)!

Cesar Brito

(agradecimentos especiais: Júlio de Andrade Filho. Por suas preciosas informações)

 

 

SUPER-PATETA 50 ANOS E OS SUPER-AMENDOINS

Estamos em 2015! Faz 50 anos que a dupla Bob Ogle (roteiro) e Paul Murry (desenho) criaram o Super-pateta na história “O Ladrão de Zanzipar” publicada pela primeira vez em outubro de 1965 e no Brasil em fevereiro de 1966, um dos primeiros super-heróis Disney (antes disso o nipo-brasileiro Jorge Kato havia criado o Super-super com o Zé Carioca, mas isso é outra história para uma outra vez).

Antes de Bob Ogle, o roteirista Del Connell havia feito duas tentativas para definir a origem do Super-pateta (ambas também desenhadas por Paul Murry): numa ele bebia por engano um super-combustível inventado pelo Prof. Pardal e na outra ele usava uma super-capa também inventada pelo Prof. Pardal. Essas tentativas não colaram!

Então, qual foi a grande sacada de Bob Ogle? Os SUPER-AMENDOINS!

Os Super-amendoins que, não se sabe como, nasceram no quintal do Pateta, lhe conferem super-poderes, temporários, ao serem ingeridos. Isso por si só já é divertido, mas os próprios Super-amendoins sempre foram extremamente engraçados. Senão vejamos: amendoins normais são raízes, como batatas, cenouras ou mandiocas, mas os Super-amendoins surgem como frutas rasteiras, acima da terra. Lembram mais morangos do que amendoins. Além disso, o Pateta os come com casca e tudo! Muito hilário, não acham?

Pois bem! Eis que em 2015, na comemoração de 50 anos do nascimento do herói o roteirista Francesco Artibani, com desenhos de Alessandro Perina (preciso dizer que são italianos?) nos apresentam uma história chamada justamente de “O último superamendoim” (o título já diz quase tudo: os superamendoins acabaram, não nascem mais) em que trazem uma outra explicação para o Super-pateta.

Mas antes de comentar sobre isso gostaria de ressaltar que nesses 50 anos os hífens desapareceram, repararam? Antes era Super-amendoim e Super-pateta, mas agora virou Superamendoim e Superpateta. Por que será? Mistério!!!

Mas, voltando aos carcamanos, vejam só esta página:

Depois de consumir o último superamendoim (que estava guardado há anos) e salvar a Terra, ao final da história, o Pateta, sabendo que não vai mais se transformar, ao decidir enterrar seu uniforme ao lado do pé de superamendoim em seu quintal, ao cavar, descobre que os amendoins que haviam desaparecido estão, na verdade, nascendo sob a terra como amendoins normais. Aí aparece uma espécie de anjo da guarda do Pateta que diz: “e você achava que eles cresciam em árvores? Essa planta é tão estranha quanto você, mas parece que decidiu colocar a cabeça no lugar e se comportar como todos os outros pés de amendoim”.E assim, com um novo suprimento de superamendoins (agora nascendo de forma normal).....

.... a lenda continua!!! Bom retorno, herói!!!

E foi isso!

Mas, embora tenha que admitir que esse roteiro foi muito criativo, fico chateado que os italianos tenham acabado com o charme e a graça que os Super-amendoins (assim mesmo com hífen) sempre tiveram. Aquilo que Bob Ogle e Paul Murry criaram não poderia ser alterado. Mas que fazer? É dessa forma que agora caminha a humanidade, sem respeito e alterando o passado ao seu bel prazer! Uma pena! 

Cesar Brito

 

MICKEY E SUA FERROVIA

Em 1955 a imbatível dupla Carl Fallberg (roteirista) e Paul Murry (desenhista) criou a primeira história de uma série de – lamentavelmente – apenas três no total, em que Mickey é o maquinista e Pateta é o foguista de uma antiga ferrovia chamada – no original – de “T. C. C. & P. R.” (Tankburg, Cinder City & Pacific Railroad). Essa história (inédita no Brasil até o advento da publicação homenageando Paul Murry, capitaneada pelo esquilo Paulo Ricardo Abade Montenegro) é “Ridin’ The Rails” traduzida literalmente como “Cavalgando Os Trilhos”. Nesse enredo a Vovó Donalda (cujo primeiro nome descobrimos ser Abigail) herda uma mina abandonada situada em Cinder City e, reativando-a, salva a ferrovia da falência. Isso depois de enfrentarem vários vilões.

A segunda história dessa série foi “The Vanishing Railroad” (A Ferrovia Desaparecida) traduzida como “O Comboio Assaltado”, criada em 1956 e publicada pela primeira vez no Brasil em 1957 no Nº 278 da revista “O Pato Donald”. Nessa história já se pode perceber uma característica dessa série que é sempre iniciar com um “splash panel” mostrando a locomotiva (que por sinal chama-se “Penelope” e tem o número 1) de frente. Também aqui já se traduziu os destinos atingidos por essa ferrovia como “Vila do Tanque” (Tankburg) e “Vila Cinza” (Cinder City). Nesse enredo, numa clara continuação do anterior, a ferrovia sobrevive transportando o minério da mina, embora não se cite mais o fato dela pertencer à Vovó Donalda. Aparecendo um milionário interessado em comprar a ferrovia os problemas começam.

 Por fim, a terceira e última história dessa série foi “The Iron Horse To Lonesome Gulch” (O Cavalo de Ferro Para O Vale Solitário) traduzida como “Os Salteadores De Trens”, criada em 1957 e publicada pela primeira vez no Brasil em 1959 no Nº 86 da revista “Mickey”. Nesse enredo a ferrovia agora atende também a uma nova mina situada num local chamado Barranco Solitário. O primeiro pagamento enviado para os funcionários dessa mina é roubado por João Bafo-de-onça que consegue colocar a culpa em Mickey e assim está feita a confusão. Interessante destacar que essa é uma história de Natal.A idéia de Mickey e Pateta serem funcionários de uma ferrovia antiga e assim protagonizarem histórias variadas conduzindo uma locomotiva a vapor chamada Penelope (por sinal, a única que a ferrovia possui), foi uma grande sacada da dupla Fallberg/Murry e poderia – aliás, até DEVERIA – ter rendido mais do que apenas três histórias. Uma pena que isso não tenha acontecido. 

Cesar Brito

 

 QUASE UM ANO DE OURO

Entre 1962 e 1963 nós, os fãs Disney brasileiros, tivemos quase um Ano de Ouro do Mickey. Refiro-me ao fato de que doze publicações da revista Mickey, perfariam um ano, mas no caso foram somente onze, por isso o “quase”. E “onze” do que? Onze edições seguidas protagonizadas por fabulosas histórias com roteiros maravilhosos de Carl Fallberg e desenhos sensacionais de Paul Murry. Verdadeiros clássicos, como pode ser visto na imagem abaixo:

 

Seleção de histórias como essa, nunca mais se viu! Nelas Mickey e Pateta navegam pelos mares, voam pelos ares (chegam até a ir à Lua), viajam por desertos, por selvas tropicais e por montanhas nevadas, perseguem e vencem os bandidos mais astutos, descobrem os tesouros mais secretos e resolvem os mistérios mais misteriosos. Que saudade!

Cesar Brito

P.S.: todas as capas mostradas acima foram de autoria do nipo-brasileiro Jorge Kato, inspiradas nas histórias da dupla Fallberg/Murry. Também são de se tirar o chapéu!

 

 

ASSINATURA DE JORGE KATO

Na revista Mickey No. 109, de novembro de 1961, foi publicada a sensacional história "Aventura no Alasca" com roteiro de Carl Fallberg e desenho de Paul Murry. A capa é desenho do nipo-brasileiro Jorge  Kato e hoje sabemos disso, mas naquela época, não.

 O curioso dessa revista é que nela consta uma "one page" de propaganda das pilhas Eveready, com o personagem "João da Luz, o rapaz das idéias luminosas". Essas propagandas eram bem interessantes, bem brasileiras e MUITO bem desenhadas. Observem!

 

Agora observem a ampliação do último quadrinho dessa historinha e verão que é aí que tem um detalhe jamais percebido até hoje! Vejam lá no cantinho a assinatura: "J.Kato/61". Não é demais??? Nunca se tinha visto isso antes!!! O Kato não podia assinar as capas e histórias que desenhava e por isso saía tudo com "por Walt Disney". Mas nesse caso, como não era Disney, mas uma propaganda brasileira (e ele deve ter faturado um "por fora"... eheheheh)... ele ASSINOU!!!!

 Provavelmente seja uma das únicas (ou talvez A ÚNICA) assinatura dele em uma história em quadrinhos publicada pela Abril, concordam?

Cesar Brito

 

HOMENAGEM ESPACIAL PARA BARKS

Em 1959 Carl Barks criou a história “Ilha no Espaço”, em que o Tio Patinhas busca um asteróide onde pudesse armazenar sua fortuna a salvo. Tal história é plenamente conhecida por seus admiradores.

O que poucos sabem é que em 1983, Carl recebeu uma carta da Universidade Cornell, dos EUA, dizendo mais ou menos o seguinte:

 “Alguns fãs de sua obra, em nosso departamento de astronomia, tomaram a liberdade de conferir o seu nome a um asteróide. Suas histórias de aventura e asteróides, da terra e de lugares exóticos, nos forneceram grande diversão por muitos anos.”

O asteróide “Barks”, de número 2730, tem cerca de dez quilômetros de diâmetro e orbita o sol a cada quatro anos e meio, dentro de uma distância que vai de cerca de 250 milhões de quilômetros a 400 milhões de quilômetros. Ele foi descoberto em 30 de agosto de 1981 por E. Bowell, na estação Anderson Mesa do Conservatório Lowell.

IMAGENS - ILHA NO ESPAÇO – HISTÓRIA CRIADA EM 1959

Para nós, no entanto, fica a dúvida: terá o asteróide “Barks”, árvores? Ou será um composto por rochas nuas? Tais questões só serão respondidas quando astronautas forem até lá, assim como os patos foram.

Cesar Brito


 

POUPANÇA DISNEY

 

A revista cuja capa aparece abaixo é considerada um item raro hoje em dia. Ela foi lançada utilizando os personagens Disney (veja a contracapa): Tio Patinhas, Pardal, Ludovico, Donald, Gilberto, Huguinho, Zezinho, Luisinho e Lampadinha fazendo propaganda da Caderneta de Poupança. Mas não se trata de propaganda sobre a Caderneta de Poupança de algum banco, mas sim de um tal de FUNDO DE PROMOÇÃO DA POUPANÇA, do Governo. Trata-se da divulgação do lançamento da conta-poupança, aquela onde seu dinheiro – como se dizia na época – “cresce e aparece”. Coisa que não existia até então.

              

                                                   CAPA                                          CONTRACAPA

A revista não tem data nenhuma, mas na primeira página da história (vide abaixo) o Tio Patinhas dá uma nota de DEZ CRUZEIROS NOVOS para o Donald. Bem, o Cruzeiro Novo (lembram quando cortaram três zeros pela primeira vez?) durou de março de 1967 a maio de 1970 (aproximadamente), portanto a revista é desse período.

PRIMEIRA PÁGINA DA HISTÓRIA

O desenho tem o estilo do Igayara, mas também pode ser que seja do Kato. Nessa época o trabalho dos dois se confundia um pouco.

Esta curiosidade vem bem a propósito do presente momento.

Acontece que, motivados por propagandas como essa da Disney-Abril, o povo brasileiro lotou as contas-poupança com seu dinheiro (grande parte foi utilizado pelo BNH para construção de moradias) e tudo corria bem até que veio a superinflação com a volta dos civis ao poder.

Esse “desgoverno” civil, então, passou a elaborar planos mirabolantes para conter a superinflação e de cada vez que eram implementados cobravam um custo justamente nas contas-poupanças dos cidadãos brasileiros, que nelas acreditavam, diga-se de passagem.

Cansados de serem sempre sacrificados, os poupadores entraram na Justiça para reaver o seu dinheiro. Ganharam em todas as instâncias até que hoje (2013, mais de trinta anos depois da publicação dessa revista) esse processo está no Supremo Tribunal Federal - STF.

Então, o Governo Popular do PT, que naquela época criticava os planos e estava do lado do povo, passou agora a ficar do lado dos banqueiros e está fazendo terrorismo dizendo que se esse dinheiro tiver que ser devolvido aos prejudicados o sistema financeiro brasileiro  entrará em colapso.

No entanto, o dinheiro não irá desaparecer no ar como eles tentam fazer crer, mas apenas mudará de mãos: dos banqueiros para os poupadores. Não é uma forma de justiça social? Uma forma de distribuição de renda?

Fico pensando o que diriam disso os geniais Ludovico, Pardal e Gilberto, que aconselharam o Donald a investir em caderneta de poupança e assim derrotar o Tio Patinhas!

Cesar Brito



 

O ANEL MÁGICO DE TOLKIEN DA DISNEY


      Quem assistiu ao filme baseado na obra de J.R.R. Tolkien “O Senhor dos Anéis” e, mais particularmente, conhece sua obra anterior “O Hobbit”, vai notar as semelhanças com esta história publicada na revista “Mickey” No. 87, de janeiro de 1960:

      Com traço de Paul Murry e roteiro desconhecido, a história “Ferrovia na Insetolândia”, estrelada pelo Grilo Falante, faz uma clara alusão (para não dizer “plágio”) à história de Tolkien. Vamos observar?

       Grilo Falante ganha uma ferrovia de brinquedo – feita pelo Gepeto – do seu amigo Pinóquio. Ele e seus amigos insetos a montam até uma plantação de cerejas para poderem ter uma fonte contínua de alimentos saborosos.

       Tudo vai bem até que precisam dar corda novamente na locomotiva de brinquedo e descobrem que nenhum inseto tem a força necessária.

         Então apelam para Boris Besouro, o único com força suficiente para isso. Até que a gente descobre que ele tem uma “fonte secreta” para sua força. Vejam qual:

         Quando sente que está perdendo sua força – de origem desconhecida para nós –  Boris prepara uma armadilha para acabar com o trem e o faz sumir em uma toca de coelho (caverna). Lá o Grilo Falante encontra um anel que lhe dá poder e força (não é igualzinho à história de Tolkien?).

         Então o Boris Besouro (Gollum para Tolkien) tem um anel que lhe confere poder (força) que ele usa para o mal (para se vangloriar e oprimir aos demais). Esse anel é achado numa caverna pelo Grilo Falante (Bilbo Bolseiro para Tolkien) que o usa para o bem.

         A diferença entre as duas histórias está apenas no final quando Grilo Falante devolve o anel para o Boris Besouro desde que ele fique sempre dando corda no trem.

        Um final bem ameno (no original Gollum recobra o anel mas acaba morrendo), ao estilo Disney de contar histórias.

 

Abraços

Cesar Brito

  

 O CLUBE DO MICKEY

 

O Clube do Mickey Mouse foi uma brilhante idéia de Walt Disney, no auge de sua criatividade, ou melhor, no seu segundo surto de criatividade (anos 1950).

Disney planejava seus melhores filmes usando mais ou menos os mesmos ingredientes básicos:

Tome uma criança com pais inadequados, ausentes, ou simplesmente inexistentes - um órfão emocional. Arranje pelo menos um substituto da figura paterna ou materna, muito melhor que os pais verdadeiros, em todos os sentidos. Em seguida interponha vários obstáculos, desencontros ou mal-entendidos entre a criança e a figura paterna. Todo mundo sofre um bocado, mas no final o pai substituto e a criança superam as dificuldades e acabam juntos.

Em alguns filmes, um animal - cão, cavalo, carneiro, o que for - é inserido no lugar do Bom Pai ou acrescentado como coadjuvante da figura paterna, mas a dinâmica de privação emocional no início e felicidade plena no final, com muita luta e sofrimento de permeio, é sempre a mesma.

Uma parte importante da genialidade de Disney foi a compreensão do mito fundamental de oferecer à criança os pais dos seus sonhos, isto é, pais que a compreendam, aceitem e amem por ela mesma, exatamente como ela é

Pois bem, o Clube do Mickey Mouse era uma versão adulterada para a TV desse mito:

Um bando de crianças perfeitamente felizes e normais que sabiam cantar e dançar eram recrutadas e se apresentavam sob a liderança de uma espécie de escoteiro-chefe que as orientava e ajudava, ensinando-lhes muitas coisas.

Esse líder era Jimmie Dodd

Sem ele o programa não valeria nada. Ele conferia a ... energia espiritual...talvez devesse dizer o arcabouço, o alicerce de realidade para o programa. Era um mito em carne e osso.

Complementando, as crianças do programa eram os Mouseketeers (um trocadilho em inglês misturando “camundongos” com “mosqueteiros”). Eles cantavam um hino do programa.

No filme “Nascido Para Matar” de Stanley Kubrick, sobre a Guerra do Vietnã, é essa música que os soldados cantam no final, quando estão voltando da batalha. Alguém lembra?

Houve uma segunda versão do programa na década de setenta. Mas foi um fracasso. Nessa época tanto Disney quanto Jimmie já haviam morrido.

No meio do programa passava um episódio da série “Spin e Marty" (no Brasil, “Juca e Mário” que nunca passaram na TV mas tiveram suas histórias quadrinizadas a apresentadas nas revistas “Tio Patinhas” e “Mickey” dos anos 1960, vide exemplos ao lado com as aventuras de um grupo de garotos num acampamento de verão numa fazenda.

Uma história clássica de Disney, apresentando um menino rico, porém solitário, com dificuldades de relacionamento, um pai substituto (seu conselheiro no acampamento) e a extensão da "família", representada pelos colegas: uma réplica dos “Mouseketeers & Jimmie”, que se tornara bastante popular desde a estréia.

 Abraços

Cesar Brito

 

O Indiozinho Voador

O Ermitão do Deserto

Os Bandidos das Montanhas

INFLUÊNCIA OU COINCIDÊNCIA 1?

Os fãs das histórias aventureiras de Mickey e Pateta, com roteiro de Carl Fallberg e desenho de Paul Murry, conhecem esse hidroavião amarelo aí de cima, como a palma de sua mão. Nossos heróis já voaram nele inúmeras vezes, como aparece aqui em um quadrinho da história “O tesouro de Eldorado”, da revista Mickey 127 (maio de 1963).

Mas comparem com o hidroavião amarelo aí de baixo, que enfrenta uma tempestade:

Parece ser o mesmo, não é? Não, não é! Esse aí quem está pilotando é Tintin, acompanhado pelo Capitão Haddock. Trata-se de um quadrinho da história “O caranguejo das tenazes de ouro” de autoria do belga Hergé.

E então? Será que esse tipo de hidroavião (e nessa cor) era tão comum naquela época que os dois autores se inspiraram no mesmo modelo?

Foi uma coincidência? Ou uma influência de um sobre o outro? E de qual em qual?

Saudações

Cesar Brito

 

 

INFLUÊNCIA OU COINCIDÊNCIA 2 ?

Os fãs de Carl Barks hão de se lembrar muito bem do quadrinho abaixo (primeiro).

Mostra o Tio Patinhas espantado quando vê pela primeira vez os micro-patos, os minúsculos viajantes espaciais, habitantes do planeta Micro, que aparecem na história “Os micro-patos do espaço”, publicada na revista Tio Patinhas 17 (dezembro de 1966).

Mas comparem com o quadrinho logo abaixo:

Esse aí é o Bolinha, personagem de autoria da Marge, conversando também com minúsculos viajantes espaciais, que aparecem na história “O Bola voador”, publicada na revista Bolinha 14 (junho de 2012). Que tal?

Bem, além de a idéia ser a mesma, ou seja, minúsculos seres que viajam pelo espaço cósmico até a Terra, observem a semelhança das duas naves, inclusive a escotilha de acesso, assim como a semelhança dos trajes, inclusive o adereço colocado sobre o capuz. E então?

Sabemos que a história de Barks foi criada em dezembro de 1965, já a de Marge não temos informação. Mas com certeza deve ter sido por essa época.

Foi uma coincidência? Ou uma influência de um criador sobre o outro? E de qual em qual?

Saudações

Cesar Brito

 

 

 

 

O SETENTÃO ZÉ CARIOCA

                       

            O personagem brasileiro que Disney criou, José Carioca (Zé para os íntimos) - e um dos poucos personagens de outro país, que não os Estados-Unidos, criados pelo próprio “Papai Walt” – está completando setenta anos de idade, assim como Chico Buarque e Paulinho da Viola, outros artistas cariocas. Mas, apesar de serem contemporâneos do papagaio, esses músicos e compositores possuem estilos bem definidos e facilmente reconhecíveis, ao contrário do Zé que sofreu várias transformações ao longo dessas décadas.

            Esta matéria não pretende explorar a história de sua vida, assunto que já tem sido abordado em outros textos comemorativos, mas sim as transformações por que passou: quais foram e como foram.

            Originalmente o Zé vestia-se como um típico “malandro” carioca do bairro da Lapa da década de 1940, de paletó, gravata borboleta, chapéu palheta e sempre portando um guarda-chuva. Sua personalidade era o que hoje se chamaria de “politicamente incorreta” pois, embora não chegasse a cometer crimes, estava sempre na contravenção: dava “calote” em restaurantes e em taxistas, enganava as mulheres (às vezes mais de uma ao mesmo tempo) e os vizinhos, enfim, era um perfeito adepto da famosa “Lei de Gerson” e do “Jeitinho Brasileiro” em sua pior forma. Vivia realmente na cidade do Rio de Janeiro e contracenava com personagens criados especialmente para serem seus coadjuvantes. Nessas histórias, criadas nos EUA por Hubie Karp e desenhadas por Bob Grant e Paul Murry, se observa a imagem um tanto negativa que os “gringos” faziam de nós, brasileiros.

            Quando suas  histórias começaram a ser produzidas no Brasil pela Editora Abril, o Zé, embora tenha continuado a se vestir da mesma forma acima descrita, mudou sua personalidade e passou a ser dono de um “talento” natural, a exemplo da “sorte” do Gastão e abandonou de vez a contravenção. Assim, embora ainda um tanto preguiçoso e avesso a “pegar no batente”, ele ficou honesto e passou a exibir habilidades várias como cantar e tocar violão, praticar esportes (em especial o futebol), etc. Também passou a viver em um local meio indefinido que às vezes era o Rio e às vezes era São Paulo. Foi nessa fase que ele passou também a conviver com toda a galeria de personagens Disney, desde Tico & Teco até Peter Pan. Nesses crossovers surgiram ainda situações inusitadas, como o corvo Amadeu (originalmente amigo do Pateta) morando na mesma Floresta Encantada onde vivem os Sete Anões e que fica no Brasil, pois o Zé para lá se dirige de charrete. Nessas histórias, criadas pelo nipo-brasileiro Jorge Kato, se observa uma tentativa de resgatar a imagem do Brasil, bastante arranhada na versão anterior.

            Prosseguindo nas histórias brasileiras, diversos outros autores, tais como Waldir Igayara de Souza e Carlos Edgar Herrero deram continuidade à vida do papagaio, seguindo a linha de preguiçoso, malandro e com alergia ao trabalho, mas... honesto. Destacam-se nessa fase as histórias da dupla Ivan Saidenberg (roteiro) e Renato Canini (desenho) que voltaram a criar personagens específicos para contracenar com o Zé (inclusive uma família composta de primos de várias estados, tais como São Paulo, Minas Gerais, etc., cada um com as características desses locais) e tornaram a fazê-lo morar no Rio de Janeiro, em uma comunidade especialmente criada para ele, em um dos morros cariocas, chamada Vila Xurupita. Nessa fase Zé Carioca abusa do “jeitinho brasileiro” e da “Lei de Gerson” mas sem cair na contravenção. E fica claro que esse jeito dele ser é uma coisa específica de cariocas e não de brasileiros em geral (vide seus primos). No início ainda se vestia como originalmente, mas logo passou a adotar o uso de camisetas e às vezes um boné. Assim como o Mickey, tornou-se um dos poucos personagens Disney que trocou de roupa, diferente, por exemplo, do Pato Donald que jamais abandonou o traje de marinheiro, independente de quem o desenhe, seja em que país for. Consolida-se assim a imagem brasileira, urbana e moderna do papagaio.

            Finalizando, é preciso citar a intervenção do roteirista e desenhista norte-americano Keno Don Rosa que desenhou o Zé baseado em suas aparições no cinema (quando ele fumava charutos e bebia cachaça pura) ao lado do mexicano Galo Panchito e do norte-americano Pato Donald. Don Rosa caracterizou o papagaio usando as roupas originais e morando no Rio de Janeiro, mas inovou ao fazê-lo boêmio, dono de uma boate e extremamente mulherengo. Como se pode observar, os norte-americanos continuam nos vendo, mais ou menos, do mesmo jeito que nos viam na década de 1940. 

Cesar Brito

 

 

 

O REAL NOME DO BAFO

 

Ora vejam só... João Bafo-de-onça não é o nome real desse arqui-criminoso, mas um apelido que ele recebeu no mundo do crime.

Em dezembro de 1960, na história “A Estranha Missão de Mickey”, a dupla Carl Fallberg (roteiro) e Paul Murry (desenho) revelaram ao mundo o verdadeiro nome do Bafo.

Porém, somente dois anos depois, em dezembro de 1962 é que os fãs Disney brasileiros ficaram sabendo disso, quando essa história foi publicada por aqui.

Vejam aí o quadrinho em que aparece essa revelação: é uma foto do Bafo aos 10 anos, onde está escrito o verdadeiro nome dele: CLODOVIL P. PEDROSA.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cesar Brito

 

NOMES CURIOSOS

 

O quadrinho abaixo abre a história “O Segredo da Ilha Perdida”, com roteiro de Carl Fallberg e desenho de Paul Murry. Ele deu motivo à seguinte troca de mensagens entre eu e o Mestre Júlio de Andrade Filho, notório roteirista nacional (vide a página de Mestres Disney neste site).

 

 
 
 
 
 
 
 

Caro Júlio, na revista Mickey No. 118 de agosto de 1962, há uma história chamada “O Segredo da Ilha Perdida”. No primeiro quadrinho vemos Mickey e Pateta num trapiche, desanimados, conversando o seguinte:

Mickey: “ter um serviço de aluguel de barco não foi uma idéia lá muito brilhante, Pateta!”

Pateta: “também acho! É que há muita cão-corrência!”

De fato, a concorrência é grande e vemos sete placas de anúncios pregadas no portal ao redor deles. Além da placa de Mickey e Pateta, existem outras seis placas que são as seguintes:

Elias aluga barcos

V. Igayara – passeios de barco

Ao Rubens – barcos de aluguel

Pesque os grandes com Adalberto

Catraias? Com Cláudio

Barcos? Só com Rodrigo

Hoje eu sei quem é Igayara (o nome da segunda placa acima), sua obra e sua importância. Grande desenhista do Zé Carioca. Mas na época não tinha a menor idéia. Essa foi uma brincadeira da redação? Como os nomes dos desenhistas não eram creditados, somente o "pessoal da casa" iria entender.E outra coisa: Elias, Rubens, Adalberto, Cláudio e Rodrigo seriam também funcionários?
Alguém mais prestou atenção nisso?

 

Cesar

 

Eis a resposta do Mestre Júlio:

 

Cesar, esses eram nomes de pessoas que trabalhavam na redação, na época.

O Cláudio, das catraias, era o Cláudio de Souza, um dos primeiros funcionários da Editora Abril, que ajudava o Sr. Victor Civita a colar cartazes de "Chegou o Pato Donald" nos bondes e depois foi diretor das infantis e criador, entre tantos outros, de títulos como Disney Especial, os Manuais Disney e Almanaque Disney.

O Rubens era o Rubens Cordeiro (se não me engano, o sobrenome era esse), um dos primeiros letristas de quadrinhos junto com Silvio Fukumoto. O Silvio depois virou Diretor de Redação, o Rubens não, manteve-se sempre como letrista, um dos melhores.

O Igayara, bem, era o Iga... e os demais, não sei.

 

Júlio

 

Bem, é isso pessoal, uma brincadeira que só agora, cinqüenta anos depois, os fãs estão tomando conhecimento.

 

Cesar Brito

 

DISNEY NA EBAL

 

 

Sim, é isso mesmo! Antes da Editora Abril começar a publicar histórias Disney no Brasil, em 1950, elas já tinham aparecido por aqui.

 

Em outra “Curiosidade” já foi mostrada uma revista “Tico-Tico” de 1935 que apresentava uma história com o Mickey, porém, aquela revista não publicava somente histórias Disney.

 

Este caso é diferente. Trata-se de uma publicação exclusiva Disney, com a conhecida história “Mickey e os Sete Fantasmas” com roteiro de Ted Osborne e desenho de Floyd Gottfredson. Tinha o formatinho de revista, porém no sentido invertido, como se pode ver ao lado:

 

A capa era colorida e cartonada, a encadernação era com dois botões metálicos e o miolo era de papel jornal em preto-e-branco, como aparece:

 

Curiosamente a história mostrava os quadrinhos sem balões e o texto descritivo, assim como os diálogos vinha embaixo. Também era dividida em capítulos como se pode ver no sub-título “AMIGOS DO OUTRO MUNDO”. Outra coisa engraçada era que cada quadrinho com seu texto inferior era considerado uma página, portanto na verdadeira primeira página podemos observar ao lado: “Página 1” e “Página 2”.

 

Acima se pode ver frente e verso do fragmento que restou da página de rosto dessa publicação. Ali, na frente, se lê “Editora Brasil – América Limitada”, a famosa EBAL e no verso se pode ler “Agosto de 1947 – 3ª Edição”.

 

 

Cesar Brito

 

 

O FILHO DO PLUTO

 

 

 

Como assim? Pluto tem um filho? Parece que sim, embora ele tenha aparecido uma única vez na história “O Pequeno Herói” com roteiro desconhecido e traço do Mestre Paul Murry.

Nessa história inusitada publicada no Brasil uma única vez na Edição Especial de O Pato Donald de julho de 1963 (aquela também inusitada e única revista Disney da Editora Abril em formato grande) vemos o Mickey referindo-se ao cãozinho como “PLUTO JÚNIOR”.

 

De onde teria surgido esse personagem? E por que, depois de sua breve aparição, teria desaparecido totalmente sem deixar rastros?

 

Essa, mais do que uma Curiosidade Disney, é um Mistério Disney.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cesar Brito

 

 

“Walt Disney apresenta Tio Patinhas em O Poço de Dinheiro”, do Grande Mestre Carl Barks.

“Walt Disney apresenta Aventuras do Pateta”, do Mestre Tony Strobl.

“Walt Disney apresenta Mickey e a Bola de Cristal.

WALT DISNEY APRESENTA

 

 

Atualmente todos os fãs das revistas Disney sabem que o velho Walt nunca desenhou nenhum quadrinho embora antigamente todas as histórias fossem creditadas a ele, diferente do que acontece hoje em dia.

 

Mas havia uma coisa curiosa nessas histórias antigas e na forma em que o nome “Walt Disney” aparecia no primeiro quadrinho: na maioria das vezes constava apenas “Walt Disney” ou “por Walt Disney” em um canto. Porém, de vez em quando aparecia, com destaque, “Walt Disney apresenta” como nos exemplos ao lado:

 

Qual seria o motivo para apenas algumas poucas histórias ostentarem aquele “apresenta”? Não se sabe, mas uma coisa era certa para os antigos fãs Disney:

 

Quando surgia aquela palavra “apresenta” em letras cursivas, o quadrinho inicial ganhava em “finesse” e trazia a certeza de ser uma grande história, de um grande mestre, que ali estava.

 

Que pena que hoje não se vê mais isso!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cesar Brito

 

Página da propaganda

Detalhe do 3º quadro

Detalhe do 2º quadro

Detalhe do 1º quadro

 

UMA PROPAGANDA CURIOSA

 

Em 1960 a Editora Abril resolveu anunciar os seus produtos em suas próprias revistas. Assim, naquele ano, a propaganda abaixo, da revista Mickey, começou a ser publicada nas revistas Disney.

 

Analisando-a de baixo para cima, vemos que o último desenho (com o título de “os sobrinhos do mocinho estão em perigo”) foi exatamente copiado do oitavo quadrinho da décima terceira página da história “Ilha no espaço”, com roteiro e desenho de Carl Barks e produzida em junho de 1959, conforme pode ser visto abaixo.

 

Já o desenho do meio (com o título de “o mocinho está quase pegando o vilão”) foi exatamente copiado do sexto quadrinho da vigésima segunda página da história “O magneto maravilhoso”, com roteiro de Carl Fallberg e desenho de Paul Murry, produzida em novembro de 1955, conforme pode ser visto abaixo:

 

Porém o primeiro desenho (com o título “o mocinho corre para salvar a mocinha”), embora tenha sido claramente inspirado no terceiro quadrinho da sétima página da história “Tubarão do sertão”, com roteiro de autoria desconhecida e desenho de Carl Barks, produzida em fevereiro de 1959, ele apresenta uma diferença gritante, conforme pode ser visto abaixo:

 

No quadrinho original é a Vovó Donalda que bate com um cesto de costura na cabeça de um índio para salvar o Tio Patinhas, enquanto que no desenho da propaganda é o Donald que bate com um cantil na cabeça de um índio para salvar a Margarida.

Que aconteceu?!?

Obviamente Jorge Kato (pois os desenhos da propaganda são dele) achou que ficava melhor mostrar “o mocinho salvando a mocinha” do que “a velhinha salvando o velhinho”.

Ah, ah, ah, ah, ah, ah!!!

 

 

 

 

Cesar Brito

 

Prima página da história em MK138

Detalhe da curiosidade na nona página

UM EQUÍVOCO DE BARKS

 

Carl Barks é o Mestre Disney Supremo, porém até ele cometia equívocos. Este, no caso, aconteceu na história “A ilha dos gansos de ouro”, de outubro de 1963.

 

 

O quadrinho inicial dessa história é uma verdadeira obra de arte, mostrando o naufrágio de um veleiro de carga que bateu em um recife. Essa também foi a primeira história em que Tio Patinhas enfrentou a Maga Patalójika e os Irmãos Metralha ao mesmo tempo.

O “equívoco” do título, no entanto, está na nona página desta história, conforme mostrada abaixo:

 

 

Observe-se o avião a jato de passageiros no terceiro quadrinho. Em sua traseira estão faltando as “asinhas horizontais”, cujo termo aeronáutico certo é: “profundores”. Ali aparece somente o leme vertical.

No entanto, no quinto, sexto e sétimo quadrinhos... lá estão os “profundores” corretamente desenhados.

 

Como Carl Barks se esqueceu deles justamente no maior quadrinho em que o avião aparece em sua totalidade? E será que ninguém percebeu isso?

 

Ao longo dos anos essa história já foi republicada no Brasil sete vezes e o equívoco permanece em todas.

 

 

Cesar Brito

 

pagina da história em PD 451

 

Detalhe da curiosidade

OS EDITORES ERRARAM

 

Na revista Pato Donald no. 451 de 1960, foi publicada a história “Na calma Inglaterra”, estrelada pelo Grilo Falante, com roteiro de Carl Fallberg e desenho de Al Hubbard.

 

Essa história se passava no universo do desenho animado “The adventures of Mr. Toad” (As aventuras do Sr. Tadeu) que foi baseado no livro “The wind in the willows” (O vento nos salgueiros) de autoria de Kenneth Grahame.

Esse desenho animado foi quadrinizado com roteiro do mesmo Carl Fallberg e desenho de Pete Alvarado, com o nome de “As aventuras de Tadeu, o Fabuloso” e publicada no Brasil na revista Zé Carioca no. 529 de 1961 e, portanto, posterior a “Na calma Inglaterra”.

 

O que é curioso e nos chama atenção é a fala do Grilo Falante no primeiro quadrinho da sétima página da história (vide abaixo), em que ele diz:

- Irra! Isto nem é terra... é um pântano! CHARNECA, como chamam aqui na Inglaterra!

 

 

Vejamos o que a Wikipedia nos ensina sobre o termo “charneca”:

 

“Charneca” é o nome comum português da “Erica Vulgaris”, vegetação xerófila (1) de Portugal, análoga ao “Maquis” do Mediterrâneo francês e ao “Heath” das Ilhas Britânicas.

A “charneca” ocorre freqüentemente em regiões de climas quentes e secos, particularmente no verão e desenvolve-se em solos ácidos, de baixa fertilidade.

Extensivamente dá-se o nome de “charneca” ao habitat onde essa planta pode ser encontrada: terreno árido e pedregoso.

(1)“Vegetação xerófila” é o nome que se dá, em ecologia, às plantas adaptadas aos climas semi-áridos a desérticos, ou então às regiões úmidas, mas salinas.

No Brasil, curiosamente, o termo ganhou significado oposto, representando área de características pantanosas, como brejos e banhados.

 

E é justamente essa conotação errada, brasileira, do termo “charneca” que os editores da Abril colocaram na fala do Grilo Falante. Fico até me perguntando se eles não teriam sido os responsáveis iniciais por esse equívoco em relação a esse termo, que ocorre somente no Brasil. Afinal, essa história foi publicada em 1960 e, até então, eu, por exemplo, nunca havia ouvido falar em “charneca”. Outra coisa que me ocorre é se esse engano não seria originário da semelhança entre a palavra “charneca” e a palavra “charco” (terra alagada).

Ao longo de toda sua história as revistas Disney da Editora Abril sempre primaram por sua correção, ajudando inclusive no aprendizado de seus jovens leitores. Infelizmente, neste caso, não foi o que ocorreu.

 

Cesar Brito

 

OS SETE FANTASMAS

 

 

 

 

 

 

No dia 10 de agosto de 1936 foi publicada nos EUA a primeira tira diária de jornal – de um total de 96 – da história “The Seven Ghosts” (Os Sete Fantasmas), com trama de Floyd Gottfredson (1905-1986) e roteiro espetacular de Ted Osborne (1900-1968). Os desenhos eram do próprio Mestre Gottfredson.

 

Exatos 13 anos passados, em agosto de 1949, foi publicada nos EUA essa mesmíssima história, porém com desenho do Mestre Dick Moores (1909-1986), não em tiras de jornais, mas em revista, e com o nome de “The House Of The Seven Ghosts” (A Casa Dos Sete Fantasmas).

 

A única diferença entre as duas histórias – fora a pequena alteração no nome – é o estilo característico de cada um de seus desenhistas. No traço de Gottfredson, por exemplo, o Mickey aparece em sua versão primitiva de calção vermelho:

 

Já no traço de Moores ele surge em versão mais moderna de calças compridas, camisa de mangas curtas e chapéu:

 

Afora isso o roteiro é exatamente aquele que foi redigido por Osborne em 1936.

 

Interessante observar que no Brasil essas duas versões foram publicadas em ordem invertida:

A segunda versão (de 1949 de Moores) saiu primeiro na edição No. 5 da revista Mickey, de 1953, ou seja, apenas 4 anos após sua publicação original.

Já a primeira versão (de 1936 de Gottfredson) saiu em segundo lugar na edição No. 3 da revista Especial Capa Dura de 1977, ou seja, 41 anos após sua publicação original.

Vale ainda citar que tanto Gottfredson como Moores faleceram no mesmo ano de 1986.

 

 

Cesar Brito

 

 

 

 

Cesar Brito

ORIGEM DO AMADEU

No dia 30 de outubro de 1949, surgiu numa tira de jornal dos Estados-Unidos, com roteiro de Bill Walsh e desenho de Manuel Gonzales, o personagem Amadeu, contracenando com Mickey e Pateta.

Essa tira original chamava-se “Sunday Strips Introducing Ellsworth” (Tira de Domingo apresenta Amadeu) que no Brasil recebeu o nome de “Como Apareceu O Amadeu” e foi uma “one page” publicada na revista O Pato Donald, No. 139 de 1954.

Interessante observar o nome original desse personagem que é “Ellsworth”, onde numa tradução livre poderia ser “Asas de Valor”. E realmente ele é uma “ave falante” muito esperto e de grande valor. Quem terá criado o nome Amadeu? E por que?

Cesar Brito

 

 

 

 

 

 

PROPAGANDA DA REVISTA

“O TICO-TICO”

COM O MICKEY

 

Como todos sabem, em 1950 a Editora Abril lançou a revista “O Pato Donald”, com os personagens Disney, no Brasil.

Porém, 15 anos antes, a revista “O Tico-Tico” já publicava histórias Disney em nossa terra. Ao lado, uma página dessa revista, de 1935, com uma história estrelada pelo Mickey, onde se pode notar a ausência de balões, substituídos por legendas em baixo dos quadrinhos.

No entanto, as revistas “O Tico-Tico” não publicavam exclusivamente histórias Disney, mas uma miscelânea de matérias e outros quadrinhos.

Por isso, é curioso que o cartaz de propaganda da revista (vide abaixo), em papel jornal, justamente de 1935, estampe a figura do Mickey anunciando a publicação, sinal que o ratinho, já naquela época, era um bom garoto propaganda.

 

 

 

 

Cesar Brito

 

NIPE TUCK

Olá Paulo e amigos Revendo umas revistas antigas, reencontrei no PD 556 a história "Um Pato Abaixo de Zero" (desenhos de Strobl), onde achei uma coisa interessante. Mas, para explicar melhor, primeiro vou fazer um parênteses: Já há tempos tenho observado que os seriados americanos que passam nos canais à cabo tem seus nomes originais muito estranhos. Por exemplo: “Alias“ significa “pseudônimo”. Humm... por que? É uma série sobre uma agente secreta que usa pseudônimos em suas missões? Estão entendendo onde quero chegar? Pois bem, outros exemplo, "Nip/Tuck" é uma série sobre cirurgiões plásticos. O que significa o nome? Pesquisei e descobri que é a expressão americana para o nosso brasileiro "taco a taco" (disputa acirrada, adversários quase empatados). OK? O que isso tem a ver com o PD 556? Bom, na história citada, Donald e sobrinhos vão parar na Groenlândia, embora na versão nacional seja dito que é no Polo Sul, mas no Polo Sul não tem esquimós. Na verdade essa história, na tentativa de adaptação ao cenário nacional acabou incorrendo numa série de erros. Então os sobrinhos conhecem dois esquimós chamados como? Nip e Tuk... ao que Donald se espanta e pergunta: como? Eles explicam: Nipomo e Tukla são os nomes deles mas os chamamos de Nip e Tuk. Sacaram? É como se os esquimós se chamassem "Taco e Taco". Por isso Donald se espantou. Na versão original é um trocadilho que os americanos entenderam, mas aqui na versão nacional o tradutor "comeu bola" e fez uma tradução direta sem perceber a gozação. Só fui perceber isso agora, 45 anos depois, e mesmo assim devido ao nome da série de televisão. Que acham disso?

PELÉ, CACHORRO OU RIVELINO NEGRO?

Esta discussão aconteceu acerca da história “Zé carioca contra o goleiro Gastão “ no grupo de discussões por ocasião da postagem das características do mestre Kato (recém falecido)

Comentário do Brito: Observem o quadrinho onde eu digo nas características de Jorge Kato, que aparece o Pelé se preparando para chutar contra o gol do goleiro Gastão. Na revisão, fui surpreendido, e reclamei: Aquilo lá não é o Pelé. Parece mais um Rivelino preto (como disse o próprio Divictor, eh, eh, eh). Alguém desenhou um cabelão e um bigode nele. Deve ter sido um corintiano revoltado, no mínimo.

Comentário do Claudio Jurischka: Cesão, sinto lhe informar que a adulteração não foi culpa de quem escaneou... provavelmente a revista escaneada proveio do "Anos de Ouro do Zé Carioca", onde a descaracterização aconteceu. Confirmei isso ontem comparando a minha edição original (de onde saiu o scan que enviei ao Divictor) e o AOZC #1.Não sei se isso foi coisa da Abril na época da publicação do AOZCpara não pagar direitos autorais ao "rei", ou se foi usada uma revista adulterada como matriz para o trabalho. Eu apostaria na primeira opção.

Comentário do Brito: Em momento nenhum eu imaginei que a culpa da descaracterização do Pelé fosse culpa de quem escaneou a revista. O que imaginei foi que a pessoa tinha uma revista adulterada (possivelmente comprada em um sebo e não na banca, como a minha foi) sem nem perceber que estava adulterada. Entendeu? Até porque a alteração está tão bem feita que enganou até o Divictor. Quanto à edição comemorativa (que eu também tenho), o que aparece lá é um personagem com cara de cachorro. É outra coisa. Provavelmente ocorreu pelo motivo de direitos autorais como você bem apontou.

Comentário do Claudio Jurischka: Hehehe... eu entendi Cesão, mas quis dizer que provavelmente quem adulterou a imagem foi a própria Abril... ao lançar o Anos de Ouro do Zé Carioca #1... Provavelmente já por causa dos direitos quando esta foi lançada, em 1989. Esse especial a que tu te referes deve ser o de 60 anos do Zé, certo?? Esse eu nem reparei como tinha saído, mas agora fiquei curioso... hehehe Mas vc. tem razão, acho que a discussão na lista daquela vez deve ter sido em cima desse especial, quando do seu lançamento em 2003 ou por causa da sua publicação na AvD do ano passado... (que trouxe a versão do especial, se não me engano). Somente na história original do ZC 1 é que saiu a caricatura do Pelé. Em todas as outras republicações (Anos de Ouro, 60 Anos, AvD, etc.) saiu o "cara de cachorro" adulterado pela própria Abril. Mas o Edilson pegou o scan do ZC 1 e portanto foi lá que foi feita essa adulteração. E dá pra ver que foi pintado um cabelão e um bigode em cima da cara do Pelé. Não se trata de um "cara de cachorro". Dessa forma, a história que está nos arquivos dos Esquilos, o scan do ZC 1, precisa ser trocada, pois está adulterada.

Comentário do Claudio Jurischka: Cesão, só para deixar claro, no Anos de ouro não há esse personagem com cara de cachorro que foi colocado no especial de 60 anos... e sim esse pelé cabeludo e com bigode... o cachorrão foi "introduzido" na edição dos 60 anos... mas provavelmente com a mesma intenção da proposital "pintada" no "rei" que fizeram em 89. Mas podexá... vou ver se há mais diferenças, que se for o caso, re-escaneio o dito cujo...E hoje posso acrescentar: No FDPP está o ZC 479 com o “Rivelino” (foi escaneado do AOZC?) e o Especial ZC 60 anos com o tal “cara de cachorro”. A biografia de Mestre Kato foi corrigida. Para que não restem dúvidas envio em anexo o scan das páginas da minha revista ZC 479 onde aparece o “Pelé”. E como o Super-Paulo estava de férias na época se esqueceram de alterar… rsc rsc rsc!

Cesar Brito

 

 

CURIOSIDADES DO PD 546

Achei duas curiosidades nele:

Primeira: Na história de Barks, "O Professor Pardal e a Feitiçaria", no sétimo quadrinho, o chapéuzinho amarelo do Pardal vira uma espécie de esponja na cabeça dele. No quadrinho seguinte (o oitavo) o chapéu some totalmente. Depois ele retorna no nono quadrinho e segue normal até o fim da história. Como essa história já saiu em OMD 15, fui conferir, e lá está tudo normal. O chapéu está desenhado corretamente do começo ao fim da história. Que terá acontecido em 1962, quando da primeira publicação? Outra coisa que notei é que os textos são diferentes e consequentemente os balões também. Quem tiver essa revista pode conferir.

Segunda: Na história de Murry "Tio Patinhas e Vovó Donalda em O Caso do Dinheiro Desaparecido", no primeiro quadrinho da quinta página, Tio Patinhas conduz Vovó até o Departamento de Pessoal de sua empresa e na porta do mesmo consta um nome: Antônio Reis. Quem seria? O antigo chefe do DP da Abril? Quem pode responder? Confiram.

 

Cesar Brito

 

 

 

RARIDADE ABSOLUTA

Recebi dia desse um e-mail do conhecido negociante de revistas André Luiz Aurnheimer que dizia: “Amigo Edilson olhe o que ganhei: o folheto de lançamento de “O Pato Donald 1”, não está à venda, veja, que bacana, abraços - Sebo da Bidi, uma nova geração em artigos colecionáveis”. E realmente é um item absolutamente incomum. Talvez mais raro que a própria revista que anuncia! Vale a pena estar aqui nas curiosidades!

Divictor

 

O CARRO COM CAPOTA DO MICKEY

Eis aí a primeira das duas únicas vezes em que Mickey, no traço de Paul Murry, dirigiu um automóvel com capota, ao invés do seu clássico conversível.

Trata-se da história "O Ídolo da Ilhota Uivante" publicada originalmente, no Brasil, na revista Mickey No. 105, de 1961

Observe-se que não se trata do conversível com a capota levantada, mas sim de um autêntico sedã de duas portas, embora seja da mesma "marca".

 

Cesar Brito

O IRMÃO DO BANZÉ

Em 1956, quando Bob Grant desenhava as tiras roteirizadas por Ward Greene, relatando as aventuras do cãozinho Banzé, ele não tinha três irmãs, mas sim duas irmãs: Chic e Sapeca; e um irmão: Pinote.

Essas histórias, originárias de tiras de jornais, receberam o nome genérico de “Os Filhos de Lili”. Nelas, como no desenho animado, Lili e o Vira-Lata tiveram quatro filhos: dois machos e duas fêmeas, sendo que as duas fêmeas “puxaram” a mãe (Chic e Sapeca) e os dois machos “puxaram”, um a mãe (Pinote) e outro o pai (Banzé).

Observem nos quadrinhos acima que as duas cadelinhas tem fitas amarradas no pescoço, porém o cãozinho não tem.

Somente mais tarde, através do traço de Al Hubbard, Banzé passou a ter três irmãs, o que convenhamos, tem mais lógica, pois são todas iguais à Lili, a mãe, enquanto que ele, o “machinho” é igual ao Vira-Lata, o pai.

 

Cesar Brito

 

O FURO DO KATO NO ZÉ FRAUDE

Quando produzia a série “Zé Fraude”, substituindo o Donald ou o Mickey pelo Zé Carioca, Jorge Kato, o nosso primeiro e maior Mestre Disney nacional, uma vez, pressionado pelos prazos curtos... errou.

Foi assim... na história (com traço original de Paul Murry) “O Tesouro do Deserto”, publicada na revista “Zé Carioca” no. 579 de 1962, ele substituiu o Mickey pelo Zé em todos os quadrinhos, menos nesse aí (o primeiro quadrinho da página 13), onde podemos identificar claramente o perfil do Mickey com suas orelhonas no lugar do Zé com seu grande bico de papagaio.

Enfim, ninguém é perfeito, não é mesmo?


Cesar Brito (com colaboração da lembrança do Esquilo Mário Leitão)

 

A MARGARIDA DE CARL BARKS

 

Carl Barks não gostava de Margarida (a namorada de Donald, criada por Bob Karp e desenhada pela primeira vez por Al Taliaferro)... ele a achava MUITO FÚTIL!

Observem o primeiro exemplo, a história (one page) “A Elegante Invisível” (revista Pato Donald, No. 532, de 1962) de autoria de Barks, onde Margarida se mata de trabalhar para adquirir um chapéu que no final se revela uma arapuca... quanta futilidade!

No entanto, no segundo exemplo, “Todo Silêncio É Pouco” (revista Pato Donald, No. 467, de 1960), Margarida se revela uma excelente bibliotecária que chega até, com sua inteligência, a salvar Tio Patinhas de um feroz leão. Nada fútil, não é mesmo? Como explicar essa contradição?

Simples! O roteiro da segunda história é de Bob Gregory e somente o desenho é de Barks. Acontece que o Grande Mestre não se incomodava de desenhar histórias escritas por terceiros desde que fosse pago para isso!

Cesar Brito

 

ASTÉRIX E O PATOS!

O que faz uma referência a Astérix e Obélix numa área dedicada às personagens Disney?

Para homenagear Albert Uderzo por ocasião dos seus 80 anos, que ocorreram em Abril de 2007, 34 artistas realizaram 64 pranchas de BD (quadrinhos). Entre eles esteve Vicar (vide Mestres Disney), artista chileno que, conforme indicação inserida no próprio álbum, “desenha aventuras do Donald, desde 1971, à razão de mais de 200 páginas anuais”. Vicar escreveu e desenhou uma história de 3 páginas, onde Astérix e Obélix contracenam com o Pato Donald, Prof. Pardal, Huguinho, Zezinho, Luisinho e Tio Patinhas. Na França foi publicada no álbum “Astérix et ses amis”, sob o nome “Melting Pot” e na Espanha no álbum “Astérix y sus amigos”, com o título “Astérix, en Patolandia”.A história com o Astérix e os Patos já foi publicada em Portugal, no álbum "Astérix e os seus amigos", com o título "Mixelânia", em novembro de 2008. No Brasil também terá sido, uma vez que já o vi à venda no Mercado Livre. Vicar ao longo da sua carreira colaborou, entre outras, nas publicações “Le Journal de Mickey” e “Picsou Magazine”. Fontes: http://coa.inducks.org/story.php?c=FC+AEA+1-1; http://coa.inducks.org/creator.php?c=VR; http://www.bedetheque.com/auteur-19990-BD-Vicar.html

 

Mario Leitão

O BAFAFÁ DO BAFO

Esta é do “fundo do baú”: Nas primeiras histórias em que Mickey enfrentava o seu mais antigo vilão, o sobrenome dele (do vilão) era escrito todo junto: Bafodeonça. Mas aí, aconteceu um imprevisto - Em uma das histórias, esse sobrenome foi cortado no final da frase dentro do balãozinho e ficou assim:

Na linha de cima: “Ba-”.

E na linha de baixo: “fodeonça”.

E as mães puritanas da época “caíram matando” na Abril: “Como é que é? Ele faz O QUÊ com a onça? Que absurdo!! Isso não se escreve numa revista para criancinhas!!!”. Depois disso, a ordem na redação foi que o sobrenome do João fosse sempre escrito com hífens. Assim, ó: “Bafo-de-onça”. Para evitar polêmicas!!! Se precisar separar, vai ficar:

Na linha de cima: “Ba-”.

E na linha de baixo: “Fo-de-onça”.

Sem mal-entendidos!


Cesar Brito

OS ÁLBUNS DA ABRIL

Figurinhas de Locomotivas

A Editora Abril ofereceu com as revistas Mickey (de 184 a 189) e Tio Patinhas (de 31 a 36) um álbum e figurinhas de locomotivas, mas o que faz um monotrilho misturado com figurinhas das olimpíadas?

 

 

 

 

 

 

 

 

A explicação encontra-se no verso da figurinha com o monotrilho.

 

 

 

 

Figurinhas de Aviões: Estas figurinhas foram distribuídas com a revista Mickey (172 a 177) e Tio Patinhas (19 a 24). O aviso ao lado, foi inserido no Tio Patinhas n.º 20, relativo a uma troca de numeração das figurinhas de aviões entregues com a revista.

Mário Leitão

 

 

QUANDO O MICKEY SUBIU A CAPOTA!

 

Essa Curiosidade foi a primeira que pensei em apresentar, porém só agora é que consegui fazê-lo. Na história "O Último Refúgio", datada de 1953 publicada no Mickey nº 54.

 

Trata-se da única vez em que Mickey fechou a capota de seu clássico conversível.

Observem no terceiro quadrinho a capota sendo fechada e o Pateta se abaixando. Vejam que no quarto quadrinho o Pateta está espremido dentro do carro porque quando a capota está aberta ele, sentado, é mais alto que o pára-brisa. Notem os limpadores funcionando.

 

Por fim, temos no sétimo quadrinho uma vista geral do carro com a capota fechada.

 

Interessante que essa história foi a primeira produzida pela dupla Paul Murry (desenho) e Carl Fallberg (roteiro), em 1953.

 

Depois dessa, nunca mais o Mickey fechou a capota de seu carro, creio que por consideração da dupla Murry-Fallberg com o coitado do Pateta.

 

Cesar Brito.

 

 

 

 

 

 

O NOME DO PATINHAS!

 

Na pág. 178 do Vol. 27 de “O Melhor Da Disney”, “As Obras Completas de Carl Barks”, foi publicado o seguinte texto:

 

“...Esta trama, em especial, suscitou debates em comunidades Disney da Internet sobre a origem do nome brasileiro do quaquilionário. Uma das hipóteses é que “Patinhas” deriva de “Simon Patiño” (pronuncia-se “Patinho”), milionário boliviano que fez fortuna negociando cobre. O jornalista Gonçalo Junior apresenta outra explicação em “O Homem Abril”, biografia de Cláudio de Souza, ex-diretor das publicações infanto-juvenis da Editora Abril: “O nome foi idéia do (redator) Jerônimo Monteiro. Como não dava para conservar o original inglês “McDuck”, ele preferiu fazer uma adaptação do nome então utilizado para o personagem na Argentina. Assim, de “Tio Patilludo” (pronuncia-se Patilhudo), ele chegou a “Tio Patinhas”. Em castelhano, “patillas” (pronuncia-se “patilhas”) significa “suíças”, as enormes costeletas usadas pelo pato mais rico do mundo.”(Grifo nosso.)

 

Mas o texto original do jornalista e tradutor Marcelo Alencar, que deveria ter sido publicado, mas foi censurado pelo editor da Disney na Abril, Emerson Agune, foi o seguinte:

 

“A trama, aliás, já suscitou debates acalorados em comunidades disneyanas da internet acerca do nome brasileiro do velho quaquilionário. Cesar Brito, colecionador de quadrinhos de longa data, sugere que “Patinhas” deriva de “Simon Patiño”, antigo milionário boliviano que fez fortuna negociando cobre. O jornalista Gonçalo Junior, no entanto, apresenta outra explicação no livro “O Homem Abril”...”

 

Pois bem, se o nome do “Tio Patinhas” tivesse derivado do nome argentino “Tio Patilludo”, (pronuncia-se “Patilhudo”), ele seria “Tio Patilhas”. Mas como, na verdade, é “Tio Patinhas”, claro fica que deriva de “Patiña” (pronuncia-se Patinha) que era um milionário “figurinha fácil” do chamado (na época) ”Café-Society dos anos 1950” e que se encontrava com freqüência no “Copacabana Palace”, no Rio de Janeiro, sendo um sujeito muito famoso.

 

Vejam a mensagem que, depois disso, eu mandei para o jornalista Marcelo Alencar:

 

“Só de curiosidade, Marcelo:

Qual o critério dos caras para “solapar”? Você pelo jeito já tinha uma quase certeza de que isso aconteceria. Desde que você me mandou cópia do seu texto original. Não é mesmo?

Tem que ser "famoso"? Como a maioria daquelas pessoas que dão opinião na contracapa de OMD?...

...De qualquer forma agradeço (e muito) sua tentativa.

Abração.” (Grifo nosso.)

 

Caríssimos Esquilos (e quem mais vier a consultar este site): deixo em vossas mãos o critério de decidir quem está com a razão.

 

Cesar Brito

DONALD BANIDO DA FINLÂNDIA!?

Em 1977 o Pato Donald foi banido na Finlândia por não usar calça e por não estar casado!

Na época surgiram títulos nos jornais como por exemplo: “Donald onde está sua calça?”, “Donald desaparece das bibliotecas!” “Donald banido na Finlândia” e “Donald não é casado, políticos indignados!”

Afinal tudo não passou de uma lenda urbana!

A verdade é que na Finlândia, a propósito da promoção de hábitos de leitura, muitas revistas e livros eram disponibilizados pelo Estado, de forma gratuita, a instituições de juventude. No entanto, no Outono de 1977, o município de Helsínquia atravessava uma crise financeira grave. Assim, foi decidido suspender a aquisição de um conjunto dessas revistas, entre as quais Aku Ankka (Pato Donald). O argumento foi que gastar o dinheiro dos contribuintes com a aquisição de revistas de quadrinhos não era a melhor maneira de promover os propósitos educativos dos centros de juventude.

Um dos decisores envolvidos, pessoa com dotes de humorista, Markku Holopainen, fez um discurso repleto de piadas, a justificar a decisão. Argumentou o senhor que Donald representava uma imagem distorcida da sociedade, por não haver famílias convencionais, com pai, mãe e filhos. Todas as crianças viviam com tios ou tias. Apontou que os quadrinhos encorajavam relações imorais fora do casamento e referiu a exposição indecente pelo fato de muitos personagens nem sequer usarem calça. O discurso terminou com indicação da perversão que representava o fato de o homem mais rico da cidade tomar banho em dinheiro.

A comissão acabou a rir às gargalhadas!

No ano seguinte aquele senhor candidatou-se a deputado. Os jornais e um dos seus adversários passaram a defini-lo como “o homem que baniu o Pato Donald de Helsínquia”. Nem é preciso dizer que foi derrotado.

Fontes: http://larko.wordpress.com/2006/05/25/the-truth-about-donald-ducks-pants/; http://www.snopes.com/disney/films/finland.asp; http://www.helium.com/items/97613-why-donald-duck-comics-were-banned

 

Mário Leitão

O NOME DO COELHO QUINCAS

Capa da Edição 125 Lançamento do Concurso Página da edição 156

capa da edição 168 Página com anúncio do nome escolhido

Diferente dos demais personagens Disney que tiveram seus nomes brasileiros escolhidos dentro da redação da Editora Abril, o nome do Coelho Quincas, que antes se chamava simplesmente Compadre Coelho, foi escolhido através de um concurso de sugestões de nomes.

O vencedor – aquele que tivesse sua sugestão acolhida – seria o “Padrinho” do Coelho.

O concurso durou do dia 30 de março de 1954 até o dia 25 de janeiro de 1955, respectivamente da edição 125 até a edição 168 da revista “O Pato Donald”, num total de 43 edições, o que representa pouco mais de dez meses.

Ao lado, o exemplo de páginas de sugestões, conforme saiam nas várias edições. Algumas das sugestões, que ali apareceram, foram: Zé Orelhudo, Pernacurta, Picareta-Noel, Coelho Quatrocentão, Espertalhão, Coelho Disney, entre várias outras. A garotada era criativa... mas nem tanto.

Finalmente, na edição 168, foi anunciado o nome escolhido: QUINCAS.

E o vencedor e “Padrinho” do coelho foi um tal Waldionor Ferraz da cidade de Teófilo Otoni.

E assim, em 25 de janeiro de 1955, exatamente no dia em que a cidade de São Paulo completou 400 anos de idade, o nosso Compadre Coelho passou a ser chamado pelo nome que ostenta até hoje: QUINCAS.

 

Cesar Brito

ÁLBUM DE FOTOS

 

Eis outra curiosidade: foi na edição No. 316, da revista “O Pato Donald”, de 26 de novembro de 1957, que se apresentou, pela primeira vez, para os fãs brasileiros a famosa série “Álbum de Fotos”. Foi uma revista “sui generis” inteiramente dedicada à esse tema. A capa inclusive, como pode ser visto.

A edição começava com a história cômica de duas páginas, aqui apresentada, envolvendo também o tema de Álbum de Fotos. A primeira página na contra-capa e a última no final da revista.

As quatro histórias principais, aqui apresentadas, que compunham a edição eram todas da série “Álbum de Fotos”.

Todas estreladas pelos patos, pela ordem, respectivamente: Tio Patinhas; Huguinho, Zezinho e Luisinho; Margarida; Donald

Todas desenhadas por Tony Strobl, porém com roteiros de autoria desconhecida, mas que devido ao estilo, podem ser de Vic Lockman.

Jamais houve outra revista como essa.

 

César Brito

"A preciosa moeda do Tio Patinhas" e "Uniformes Custosos"

"O grande astro" e "O bombeiro Donald"

O 4.º SOBRINHO DE DONALD

 

 

 

 

Phooey é o nome de um 4.º sobrinho do Pato Donald, cuja primeira aparição aconteceu em 1999, na história “Much Ado About Phooey”, publicada no Brasil em O Pato Donald 2199, com o título “Muito Barulho por Quase Nada”.

 

Já por várias vezes no passado, aparentemente fruto de erro dos autores, tinha aparecido um 4.º sobrinho.

 

Algumas das histórias onde esse sobrinho é mais evidente e a sua primeira publicação no Brasil:

 

“O Rio Das Grandes Decisões” de Carl Barks, em O Pato Donald 636 de 1964.

 

“The Moving Island” de 1983 e “The Phantom Lighthouse de 1990 nunca publicadas no Brasil.

 

“A Corrida Das Corredeiras” de Tony Strobl, em Zé Carioca 1645 de 1983.

 

“Vendedor de Pirâmide” de Vicar, em O Pato Donald 2116 de 1997. Nesta história o erro só permanece na edição sueca de 1995, uma vez que em posteriores publicações em França e na Alemanha (e no Brasil?) foi corrigido.

 

Duas outras histórias onde é menos evidente:

 

“Cachorradas Oficiais” de Carl Barks, em O Pato Donald 576 de 1962.

 

“Sobrinhos Alpinistas” de Carl Barks, em O Pato Donald 450 de 1960

 

Fontes:

http://stp.lingfil.uu.se/~starback/dcml/chars/hdl.html

http://coa.inducks.org/story.php?c=D+97589

 

Mario Leitão

 

Muito barulho por quase nada

O Rio das grandes decisões

A corrida das corredeiras

Vendedor de Pirâmide

COMO A EDITORA ABRIL TRABALHAVA ANTIGAMENTE

Todos sabem que a Editora Abril fechou acordo com a Disney, em 1950, para publicar suas histórias em quadrinhos no Brasil. Mas como funcionava esse acordo? Da seguinte forma:

Primeiro, os editores da Abril recebiam dos Estados-Unidos as revistas publicadas por lá, tais como "Walt Disney's Comics and Stories", "Donald Duck Four Color" ou "Uncle Scrooge".

Segundo, esses editores escolhiam quais das histórias contidas nessas revistas eles desejavam comprar para publicar no Brasil e avisavam a Disney. Observe-se que eles não compravam as revistas completas, mas apenas uma ou outra história escolhida.

Terceiro, eles recebiam as histórias compradas e as publicavam aqui, montando com elas uma revista que, na verdade, era diferente daquelas americanas.
Mas como uma dessas histórias chegava ao Brasil? Da forma como aparece nessa foto: em folhas separadas de papel especial, em preto-e-branco e escrita em inglês.

Então a história era editada (às vezes até com supressão de quadrinhos ou com novo lay-out de páginas), traduzida (às vezes até alterando os diálogos) e colorida.
Esse original aí da foto é da história "The Gold-Finder" (no Brasil: "O Garimpeiro") de Carl Barks, de quando ela foi comprada e saiu pela primeira vez no Brasil, na revista "O Pato Donald" No. 4 de 1950. Um exemplo do que foi dito acima.

 

Cesar Brito

INFLAÇÃO MEDIDA A MICKEYS!

 

Eis aí, para recordar, as doze capas das edições da revista “Mickey” do ano de 1985, bem no meio da chamada “Década Perdida”.

Os anos 1980 receberam essa denominação por causa da inflação galopante que assolava o Brasil naquela época.

Abaixo das capas estão os números das edições, os meses das publicações, os preços de venda e os números de páginas. Com base nesses dados pode-se verificar que:

- Os preços de capa da revista apresentam um valor de 4 (quatro) dígitos antes da vírgula.

- De janeiro a maio a revista sofreu aumentos mensais sucessivos de 7%, 16%, 11% e 10%.

- A publicação de junho parece ostentar um preço menor do que a de maio, ou seja, de Cr$ 2.200,00 caiu para Cr$ 1.500,00, porém, observando bem, vê-se que o número de páginas também caiu de 84 para 44, representando uma redução de cerca de 48% em seu tamanho, numa tentativa de tornar a revista mais “palatável” ao público.

- Levando em conta essa redução no número de páginas constata-se que na realidade o preço da revista sofreu de maio para junho, um aumento de 30%, bem acima da média anterior da inflação mensal.

- Posteriormente ao mês de junho e até o final do ano, o preço da revista foi elevado a cada dois meses segundo os seguintes índices: 13%, 12% e 21%.

- Dessa forma, o acumulado daquele ano acusou um total de 203% no preço de venda da revista Mickey.

 

Que tal? O mesmo ocorreu com as outras publicações Disney da Editora Abril, tais como “O Pato Donald”, “Zé Carioca” e “Tio Patinhas”.

 

No entanto, nessa mesma época o núcleo nacional de produção de histórias Disney, assim como a “Escolinha”, iam muito bem, produzindo a todo vapor, numa demonstração de como foram contraditórios aqueles tempos.

Tenho dito!

 

Mickey 388– Jan/1985

Cr$ 1.450,00 – 84 pgs

Mickey 389 – Fev/1985

Cr$ 1.550,00 – 84 pgs

Mickey 390 – Mar/1985

Cr$ 1.800,00 – 84 pgs

Mickey 391 – Abr/1985

Cr$ 2.000,00 – 84 pgs

Mickey 392 – Mai/1985

Cr$ 2.200,00 – 84 pgs

Mickey 393 – Jun/1985

Cr$ 1.500,00 – 44 pgs

Mickey 394 – Jul/1985

Cr$ 1.500,00 – 44 pgs

Mickey 395 – Ago/1985

Cr$ 1.700,00 – 44 pgs

Mickey 396 – Set/1985

Cr$ 1.700,00 – 44 pgs

Mickey 397 – Out/1985

Cr$ 1.900,00 – 44 pgs

Mickey 398 – Nov/1985

Cr$ 1.900,00 – 44 pgs

Mickey 399 – Dez/1985

Cr$ 2.300,00 – 44 pgs

César Brito

O SOVINA GASTADOR

(The Thrifty Spendthrift)

Em 1964 Carl Barks escreveu e desenhou “The Thrifty Spendthrift” (O Sovina Gastador) uma de suas melhores, mais famosa e mais querida história de Natal.

Ela foi baseada na canção natalina renascentista “The Twelve Days of Christmas” (Os Doze Dias de Natal), desconhecida para os fãs brasileiros naquela época, já que por aqui foi publicada na revista Tio Patinhas No. 3, do mesmo ano.

Hoje, com a globalização e com a Internet, podemos conhecer a citada canção. Trata-se de uma melodia de cunho infantil, para desenvolvimento da memória, onde se precisa sempre recordar os itens anteriores antes de passar para o seguinte.

Na imagem acima, no primeiro quadro da página da esquerda, podemos ver todos os doze elementos da canção, desenhados pela ordem, e liderados por Tio Patinhas, que como ele mesmo diz: - O mundo esperou quatrocentos anos para ver este espetáculo ao VIVO!

 

FELIZ NATAL!

Cesar Brito

 

Eis a letra abaixo no original inglês e com a tradução:

The Twelve Days of Christmas

Os Doze Dias de Natal

(Lee Greenwood)

 

On the first day of Christmas,

No primeiro dia de Natal,

my true love sent to me

Meu verdadeiro amor enviou pra mim

A partridge in a pear tree.

Uma perdiz numa pereira

 

On the second day of Christmas,

No segundo dia de Natal,

my true love sent to me

Two turtle doves,

Duas toutinegras,

And a partridge in a pear tree.

 

On the third day of Christmas,

No terceiro dia de Natal,

my true love sent to me

Three French hens,

Três galinhas francesas,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the fourth day of Christmas,

No quarto dia de Natal,

my true love sent to me

Four calling birds,

Quatro aves (papagaios) falantes,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the fifth day of Christmas,

No quinto dia de Natal,

my true love sent to me

Five golden rings,

Cinco anéis de ouro,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the sixth day of Christmas,

No sexto dia de Natal,

my true love sent to me

Six geese a-laying,

Seis gansos grasnando,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the seventh day of Christmas,

No sétimo dia de Natal,

my true love sent to me

Seven swans a-swimming,

Sete cisnes nadando,

Six geese a-laying,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the eighth day of Christmas,

No oitavo dia de Natal,

my true love sent to me

Eight maids a-milking,

Oito donzelas (moças) ordenhando,

 

 

Seven swans a-swimming,

Six geese a-laying,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the ninth day of Christmas,

No nono dia de Natal,

my true love sent to me

Nine ladies dancing,

Nove damas dançando,

Eight maids a-milking,

Seven swans a-swimming,

Six geese a-laying,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the tenth day of Christmas,

No décimo dia de Natal,

my true love sent to me

Ten lords a-leaping,

Dez Lords (Senhores) saltitando,

Nine ladies dancing,

Eight maids a-milking,

Seven swans a-swimming,

Six geese a-laying,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

 

On the eleventh day of Christmas,

No décimo primeiro dia de Natal,

my true love sent to me

Eleven pipers piping,

Onze gaiteiros suas gaitas tocando,

Ten lords a-leaping,

Nine ladies dancing,

Eight maids a-milking,

Seven swans a-swimming,

Six geese a-laying,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree.

On the twelfth day of Christmas,

No décimo segundo dia de Natal,

my true love sent to me

Twelve drummers drumming,

Doze tamborileiros tocando tambor,

Eleven pipers piping,

Ten lords a-leaping,

Nine ladies dancing,

Eight maids a-milking,

Seven swans a-swimming,

Six geese a-laying,

Five golden rings,

Four calling birds,

Three French hens,

Two turtle doves,

And a partridge in a pear tree!

 

Acesse a canção no YOUTUBE em:

http://www.youtube.com/watch?v=Q8Jbi-BBp3c

O(S) ZORRINHO(S)

 

 

Aqui está a origem dos Zorrinhos (ou seria “Zorrinho”?).

É a história “A Marca do Zorrinho” e foi publicada em agosto de 1974 no “Almanaque Disney” No. 39. Tem roteiro de Ivan Saidenberg e desenho de Irineu Soares Rodrigues. Mas antes disso ele(s) já havia(m) aparecido em uma história de 1966, na revista “Tio Patinhas” No. 9 (aquela com as duas capas, sendo uma com crianças) onde os Zorrinhos surgiram na história "Esta É A Sua Vida, Pato Donald!", de autoria de Vic Lockman (roteiro) e Tony Strobl (desenho).

 

Afinal, o Zorrinho nasceu no Brasil, ou não?

 

Vejamos o que nos esclarece o Mestre Júlio Andrade:

“O que ocorre, na verdade, é que o Said (Ivan Saidenberg) - que além de escritor prolífico, conhecia e gostava dos quadrinhos em geral e Disney em particular – era mestre em sacar da manga esses lances. Ele leu a história onde os meninos (patinhos) se vestiam de Zorro (aquela da revista Tio Patinhas No. 9) e PIMBA! Teve um estalo, tipo “vamos explorar essa faceta e criar mais histórias”?”. Isso aconteceu nos anos 70. Os assim chamados “Zorrinhos” realmente apareceram pela primeira vez naquele trecho do “Esta é sua Vida, Pato Donald”, que por sua vez foi uma HQ baseada num desenho animado do mesmo nome e feito para a TV, da série “Wonderful World of Disney”. O desenho foi ao ar no começo de 1960 e a história foi publicada no final daquele ano numa revista da Dell. Ou seja, foi publicada no Brasil só depois de seis anos. O grande Said, provavelmente relendo sua coleção de revistas, teve o tal “estalo” e veio então com a história da “origem” dos Zorrinhos, se não me engano aquela onde os Metralhinhas estão azucrinando as sobrinhas da Margarida. Então, tecnicamente, os Zorrinhos, como personagens, foram criados no Brasil – mas sua primeira aparição foi mesmo nos EUA, no começo dos anos 1960 (época em que o Zorro bombava no país por causa do sucesso da série de TV e havia merchandise aos montes nas lojas, como uniformes para as crianças e tudo o mais).”

 

Obrigado, Mestre Júlio, está esclarecido o mistério do nascimento do(s) Zorrinho(s). Mas antes de finalizar este assunto, devo apresentar o comentário de Lucila Saidenberg, a filha do genial “Said”:

 

Oi, Cesar! Lembro-me do site Esquilos, lembro-me da biografia (de meu pai), e lembro-me do Zorrinho, não "dos Zorrinhos". O lema deles é "um são todos e todos são um", e a idéia era vencer os inimigos fazendo-os pensar que o Zorrinho podia estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

 

Sim, Lucila, você tem razão é só UM Zorrinho. Três se passando por apenas um. E essa foi a grande "sacada" do seu pai: nós leitores, sabemos que são na realidade três, mas os pequenos vilões pensam que se trata de apenas um.

 

GENIAL!!!!

Cesar Brito

PATINHAS O ARTISTA AUSENTE

A capa da revista Tio Patinhas de novembro de 2010 (edição 544) trouxe algo inusitado: a ausência do Patusco na capa. Embora isso não seja inédito, é algo que não acontecia há muito tempo. A última vez que o Tio Patinhas não apareceu na capa da própria revista foi em Julho de 1984, há mais de 26 anos!!! Tudo bem que ele está lá ao lado do logo, no selo da numeração, mas não faz parte da arte da capa.

Considerando todas as edições da revista Tio Patinhas, desde seu lançamento em 1963, são 5 edições nas quais o velho pato não marca presença na capa, nem caracterizado, fantasiado ou herói. São elas as edições 203, 205, 207, 230 e 544.

TP 203 TP 205 TP 207

TP230 TP544

MK 762 PD 2145 ZC 1663

Danilo Aléssio

OUTROS CASOS

Embora isso fosse comum nas décadas de 60, 70 e 80, esta prática ficou rara nos últimos anos. Considerando as revistas de linha, as últimas vezes que seus donos não apareceram na capa de suas próprias revistas (mesmo descaracterizados) foram:

O SÊLO REAPROVEITADO

 

Segundo informações enciclopédicas:

“O Brasil foi o primeiro país da América, e o terceiro do mundo, a adotar o selo postal, por decisão do jovem imperador Pedro II.

O primeiro exemplar de uma série conhecida como "Olho-De-Boi", por seu desenho oval, foi emitido em 1º de agosto de 1843.

Já o famoso “Selo Magenta” da Guiana Britânica, que se vendeu ao preço de um centavo e levava o carimbo de Demerara (hoje Georgetown), de 4 de abril de 1856, é há muito tempo o selo mais caro do mundo.”

 

E foi esse “Selo Magenta” que serviu de inspiração para Barks criar a história “The Gilded Man”, publicada pela primeira vez em setembro de 1952 (no Brasil: “O Cacique Dourado” – Revista Pato Donald 89, 90 e 91 de 1953).

Nessa história Barks brinca com o fato dos patos vasculharem as casas dos nativos em busca do tal selo sendo explorados pelos mesmos que cobram para permitir tal busca.

Ele também faz os patinhos salvarem das piranhas um velhinho, que caíra em um rio, jogando óleo de rícino na água e afastando assim esses peixes predadores. Agradecido ele lhes conta onde podem achar um dos “Selos Magenta”.

 

 

Em seguida, Carl Fallberg roteirizou e Paul Murry desenhou a história “The Great Stamp Hunt”, publicada pela primeira vez em novembro de 1956 (no Brasil: “Em Busca do Sêlo da Fortuna” – Revista Mickey 140 de 1964).

 

Aqui Fallberg repete a brincadeira – criada por Barks - de Mickey e Pateta vasculharem as casas dos nativos em busca do tal selo sendo explorados pelos mesmos que cobram para permitir tal busca.

Mas Carl inova um pouco ao criar a situação de serem achados milhares de “Selos Magenta” fazendo com que o valor dos mesmos despenque. No final os selos são destruídos e os poucos que sobram passam novamente a ter um grande valor.

 

Posteriormente, com roteiro desconhecido e traço de Paul Murry, apareceu a história “The Rare Stamp Search”, publicada pela primeira vez em outubro de 1960 (no Brasil: “Em Busca do Sêlo da Fortuna” – Revista Zé Carioca 557 de 1962).

 

Novamente se repete a brincadeira de Mickey & Sobrinhos vasculharem as casas dos nativos em busca do tal selo sendo explorados pelos mesmos que cobram para permitir tal busca.

Também se repete a passagem dos ratinhos salvarem das piranhas um velhinho, que caíra em um rio, jogando desta vez molho de pimenta na água e afastando assim esses peixes predadores. Agradecido ele também lhes conta onde podem achar um dos “Selos Magenta”.

 

Finalmente, Carl Fallberg mais uma vez roteirizou e Paul Murry desenhou a história “The Rare Reward”, publicada pela primeira vez em novembro de 1960 só um mês após “The Rare Stamp Search” (no Brasil: “Uma Recompensa Rara” – Revista Mickey 108 de 1961).

 

Mais uma vez os ratinhos salvam das piranhas um velhinho, que caíra em um rio, jogando agora petróleo e afastando assim esses peixes predadores. Agradecido ele aqui de novo lhes conta onde podem achar um dos “Selos Magenta”.

E outra vez Carl cria a situação de serem achados milhares de “Selos Magenta” fazendo com que o valor dos mesmos despenque. No final os selos são destruídos e os poucos que sobram passam novamente a ter grande valor.

 

Além das situações acima citadas, algumas outras se repetem em todas as histórias.

Nos quadrinhos Disney essa não foi a primeira e nem a última vez em que um roteiro foi reaproveitado.

Mas creio que um reaproveitamento de QUATRO VEZES, foi o único exemplo.

E Viva a Filatelia!

 

Cesar Brito

Colecionador e Gibólogo

 

QUANDO O DONALD MATOU UM CARA

É fato conhecido que a morte está sempre ausente das histórias em quadrinhos Disney e a violência, quando acontece, é revestida de um caráter cômico.

No entanto, houve uma vez em que Donald matou um cara. Embora tenha sido sem querer e em legítima defesa, o fato é que matou mesmo.

Isso ocorreu por obra do Grande Mestre Carl Barks. Teria sido por distração? E como os editores de então deixaram passar?

Vamos aos fatos:

Tudo ocorreu na história Pérsia Antiga - “In Ancient Persia” - criada em novembro de 1949 e publicada pela primeira vez em maio de 1950. No Brasil ela apareceu pela última vez no Volume 12 da coleção O Melhor da Disney.

 

Nessa história o vilão é um cientista louco que sequestra Donald & Sobrinhos para que o ajudem com seus experimentos em ruínas da antiga Pérsia. Lá chegando ele consegue ressuscitar persas que haviam sido secados, até virar pó, por um suposto “vapor de rádio”. Em determinado momento (pág. 106 de OMD), quando Donald (que por acaso é sósia de um príncipe fujão chamado Ali Saf-Ad) está para ser casado à força com uma princesa persa, surge o cientista louco portando uma urna de cerâmica lacrada contendo o tal “vapor de rádio”. Ele diz que irá usar o “vapor” para secar toda a humanidade e ficar com o mundo inteiro só para si. Mas primeiro ele irá secar os persas e Donald. Nessa hora, em legítima defesa, o pato atira um capacete na cara do vilão o que provoca a queda e o rompimento da urna deixando o “vapor” se espalhar. Donald se refugia dentro da água de uma piscina e se salva (pág. 109 de OMD), pois ali o “vapor” não pode atingi-lo. Mas os persas viram pó e morrem, assim como o cientista (pág. 107 de OMD).

 

Pois bem, os persas já estavam mortos há milhares de anos. Tinham sido ressuscitados pelo cientista e portanto, quando viraram pó de novo, apenas voltaram para sua condição inicial. Eles não contam.

Mas o vilão era contemporâneo dos nossos heróis e estava bem vivo. Morreu pela ação do pato ao atirar o capacete. Como dito no início, foi sem querer e em legítima defesa, mas sem dúvida... Donald matou um cara.

 

Cesar Brito

Colecionador e Gibólogo

 

 

 

 

 

O PÓ DE PIRLIMPIMPIM

 

Todos sabem que a Fada Sininho, parceira de Peter Pan, produz um pó que, quando jogado sobre alguém, faz com que essa pessoa consiga voar... desde que tenha pensamentos felizes, é claro.

Em sua versão original, esse pó é chamado simplesmente de “Pó Mágico”. Porém nas traduções brasileiras ele aparece como “Pó de Pirlimpimpim”. Por que?

 

Acontece que o Pó de Pirlimpimpim é uma criação do escritor brasileiro Monteiro Lobato. Em suas histórias passadas no Universo do Sítio do Pica-Pau Amarelo, a boneca Emília possui esse Pó de Pirlimpimpim que ela usa para viajar para lugares como a Grécia Antiga, juntamente com seus amigos: Pedrinho, Narizinho, Visconde de Sabugosa, etc.

Então, tendo conhecimento dessa criação nacional, quando os tradutores Disney se depararam com o “Pó Mágico” da Fada Sininho não hesitaram em chamá-lo de “Pó de Pirlimpimpim”.

 

Cesar Brito

Colecionador e Gibólogo

 

A CARROCINHA DO PARDAL

Em novembro de 1959 o Grande Mestre Carl Barks criou a Carrocinha do Prof. Pardal para que ele pudesse vender a domicílio, “inventos fresquinhos, feitos na hora”. Isso aconteceu na história“O Tira-Prosa” uma das mais engraçadas que o Mestre produziu e que foi publicada no Brasil no ano seguinte – 1960 – na Revista Pato Donald, No. 468.

 

Tratava-se de uma carrocinha comum com rodas de bicicleta, como por exemplo, as usadas pelos verdureiros da época. E a graça da coisa estava justamente nisso: um inventor vendendo inventos como se fossem alfaces ou couves-flores.

Então aconteceu outra coisa também divertida:

Em setembro de 1961, Jack Bradbury copiou a idéia do Pardal vender inventos na rua, mas criou sua própria “carrocinha”.

 

Foi na história “Uma Dupla de Esquecidos”, publicada no Brasil em 1962 na Revista Pato Donald No. 556. Só que na versão de Bradbury a “carrocinha do Pardal” não é uma carrocinha propriamente dita, mas uma espécie de “máquina de lavar roupas com rodinhas”. Uma coisa tão ridícula que acabou ficando muito engraçado e bem diferente da original de Barks

 

Cesar Brito

Colecionador e Gibólogo

 

 

 

... E BARKS ACREDITOU!!!

... e eu também! Foi o seguinte:

Corria o ano de 1967 e em junho eu comprei a edição No. 2 de uma revista de cunho científico publicada no Brasil, chamada Enciclopédia Bloch. Nesse número saiu uma matéria chamada “Aquanautas, o dia do homem submarino”. Ali se noticiava que o cientista Walter L. Robb havia inventado uma membrana de borracha sintética que filtrava o oxigênio da água e que usada como “parede” de uma gaiola submersa permitia que um ratinho respirasse, estando em baixo da água. Tenho essa revista até hoje para mostrar e provar pra quem duvidar.

Pois bem, o Grande Mestre Carl Barks também leu esse artigo (ou um outro semelhante) e incorporou essa invenção na história A Rainha das Sereias, publicada na revista Tio Patinhas, No. 26, de setembro de 1967.

 

Está lá na quinta página da história, onde um cientista de Tio Patinhas, repuxando uma máscara de plástico, diz: “mais sensacional ainda é esta máscara de mergulho que filtra o oxigênio da água”.

Ora... como a história de Barks saiu em setembro e eu já havia lido a notícia (que era séria) em junho daquele mesmo ano, achei absolutamente normal aquilo que Carl apresentava.

Hoje, em 2011, passados 44 anos, eu me pergunto: onde foi parar essa invenção? Cadê as máscaras (como Barks apresentou)? Era verdade aquilo? Ou não era? Fui tapeado?

Pois bem, se eu fui tapeado, estou em ótima companhia porque o Grande Mestre também foi. E tenho dito.

 

Cesar Brito

Colecionador e Gibólogo

 

 

 

 

 

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