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A IDADE DE BRONZE - 1971 / 1986

A Idade de Bronze, onde a palavra de ordem é 'relevância'. Nesse caso relevância dos roteiros, mais complicados, mais cinzentos, mais adultos...

A DC correndo atrás do titio Stan lá na Marvel que estava vendendo mais que a DC desde 68 e ameaçada pelo decréscimo de vendas que se iria registar durante os anos 70, já estava vendendo gibi não pra criança como no passado, mas pra adolescente. 

Os comics estavam acompanhando o crescimento de seus leitores, já que a continuidade começava a impedir a conquista de novos leitores, na medida em que uma história  típica seria mais ou menos assim:

"Super, está perdido!! Com a bota que tomei de você (* Action 389) fabriquei meu segundo super-clone (* última edição) já que meu primeiro (* Superman 301) não deu certo !!!"

"Nem pense, Luthor !!! Na nossa última batalha (* World's Finest 165) pedi ao Batman que sabotasse sua máquina de clonar com o Batarangue que já havia sido usado no Carro-Coringa o mês passado !!! (*Detective 395)"

Acho que já entenderam a coisa, em vez de histórias contidas em suas edições, tinhamos histórias de 3, 4, 5 edições e se tivesse perdido uma delas... que pena...

Adicionalmente a TV estava roubando a atenção dos jovens cada vez mais e mais, o aumento constante dos preços do papel se refletia em aumento de preço do gibi e as bancas reservavam cada vez menos espaço para os gibis já que ganhavam mais com os revistas...

Ou seja, as vendas estavam descendo pra Marvel e pra DC mas a Marvel estava ganhando a batalha do que em breve seria a luta pela sobrevivência das duas empresas...

Daí que havia uma procura de temas de relevância social e novos gêneros tal como tinha acontecido na travessia do deserto entre as Idades de Ouro e Prata...

Assim, os Titãs causaram a morte de um adolescente e temporariamente renunciaram aos seus poderes. A Mulher  Maravilha continuava a sua iniciação ao Zen e às artes marciais, sem super-poderes e agindo como Diana Prince. Não faltava um mentor cego de nome I-Ching. O Batman se livrou do Robin, se mudou pra Fundação Wayne com o Alfred e ficou muuuuuuuuuuiiiito melhor...

E... o impensável...MEXERAM NO SUPER !!!!!

Vocês já devem ter ouvido falar num tal the Denny O'Neil, certo? Ele mudou a Maravilha, renovou o Batman, trouxe relevância pro Lanterna e Arqueiro Verde, etc...

Pois então meu caro Denny, leve também o Super e o adapte a estes novos tempos... e ele levou... e adaptou...

Superman 233: Acabou a Kryptonita !!! Números seguintes: Poderes reduzidos a metade !!!!  Mais ainda: Vai precisar de um guri para ativar seus poderes devido a um bloqueio mental induzido por alienígenas !!!!

Ufa!!!!  Se acabou o Super-super !!! Já não havia espaço para semi-deuses nos quadrinhos da DC. Até o Super teria de ter limitações...

Em paralelo, o Kirby continuava desenvolvendo seu intrincado Fourth World em 5 ou 6 gibis diferentes. Logo, se gostas de mudança, esse é o seu tempo jovem!!  Vá ler os gibis porque tem mudança por todo o lado...

E falando nos gibis, em 71:

Tentemos o gênero Terror: Sinister House em lançamento.

Já agora, que tal Guerra com Terror?: Weird War Stories.

Já temos uma Sinister House... sabe o que ficaria bom? Uma Dark Mansion !!

E que tal alguns Ghosts?...

Não esquecer do album Spirit World...

De dar arrepios não é?

Já que o Kirby está por aí, vamos encomendar um álbum sobre a era do Al Capone pra ele: Days of the Mob...

Falando em Kirby, olha aí o Fourth World: New Gods; Forever People; Mister Miracle e Finalmente as sempre populares re-impressões de baixo custo: DC 100 Pages Spectacular

Nos cancelamentos:

Como dissemos anteriormente, os comics já não são pra crianças... Sugar and Spike acaba no número 98...Mouseketeers no 7... Miniatura também é coisa de criança... lá se vão os Hot Wheels... O Romance também já está cansando: Adeus Girl's Romances e Secret Hearts... Comédia também está perdendo interesse: Adeus Jerry Lewis...Binky... Apesar da super-arte do Jim Aparo, (ver também o Detective Comics e o Brave and the Bold), o Aquaman fica fora da água no 56... voltaria no Adventure Comics futuramente, novamente pelo Aparo...  Veio o DC 100 pages, foi-se o DC Special no número 15 e o Super DC no 26... tudo isso se iria repetir com esses titulos de re-impressão ao longo dos próximos anos...

Passando pra 72:

Adeus pro Scooter e pro Date with Debbi... Finalmente o pioneiro Tomahawk acaba sua carreira no número 140... Lançaram mais duas edições dos Inferior 5, a 11 e a 12... mais uma vez, não deu certo... E, surpresa das surpresas, o principio do fim do Kirby na DC !!!!

Apenas dois anos depois de sua triunfal entrada, títulos do surpreendente Fourth World são cancelados: New Gods e Forever People

Em paralelo abandonou o Jimmy Olsen no 149...

Por quê?  Vítimas da desagregação do sistema de distribuição nas bancas, já me referi anteriormente...

Nem Kirby conseguiu resistir a mudanças radicais no mercado dos comics...

Mesmo assim ele procurou fechar as narrativas em suas últimas edições... Apenas o confronto final entre Orion e Darkseid ficou em suspenso mas ele voltaria à DC para fechar definitivamente a saga alguns anos depois... 

Outra surpresa: Apesar das brilhantes narrativas do O'Neal e do Neil Adams, o Green Lantern foi cancelado no número 89. A história seguiu para o gibi do Flash...

Nos lançamentos temos:

O licenciamento do Tarzan para a DC:

Tarzan, Korak e o album Tarzan Digest...

Um album dos Laurel and Hardy, atores de comédia do cinema mudo e principio do sonoro...

Edições de dimensões extra grandes chamadas de Limited Editions...

A segunda vaga do Kirby:

Demon (Estórias em Camelot) e Kamandi, the last boy on earth (Histórias num futuro pós-apocaliptico)

Uma mini-série de re-impressões intitulada de Wanted: World's Most Dangerous Villians...

Depois de uma estréia auspiciosa na House of Secrets 92, um gibi novo para uma personagem que nos anos 80 sob a batuta do genial Alan Moore, seria uma estrela do terror inteligente e sofisticado: Swamp Thing !!!

Mais aterrorizantes: Weird Worlds e Weird Mysteries...

Finalmente, direto da Adventure Comics.... Supergirl em sua revista própria !!!!

Ainda de realce a mudança do Heart Throbs para Love Stories com o número 147 e do novo All-Western para Weird Western com o numero 12...

Menção honrosa para o Lois Lane, pela relevância dos temas que começaram apresentando desde 1970. Apesar de pertencer temporalmente ao lote da semana passada, leiam o Lois Lane 106 para um magnífico exemplo de uma das primeiras tentativas de integração de elementos de discriminação racial em gibis. Seguidamente viria a fase feminista, conceito também bem típico desses tempos. 

Em resumo:

Vendas diminuindo graças à falência do sistema de distribuição nas bancas.

Ataque cerrado da Marvel com seu estilo 'novela para adolescente'.

A DC estava correndo atrás da Marvel, será que vai dar certo e conseguirá recuperar o tempo perdido?

Ou pelo contrário, o desespero conduzirá a ações arriscadas e prejudiciais para a Editora?

As últimas da DC em 73, 74?

O titio Stan lá da Marvel estava se despedindo dos comics para ir para Hollywood escrever a Grande Novela Americana e aproveitando, fazer de mascate das propriedades Marvel para os estúdios de TV e Cinema em Hollywood...

- Hein???.

- Você disse DC e me fala do senhor 'Marvel' ??? O que é isso cara ???

Calma caro leitor, é que nesses tempos a DC, procurando retornar ao lugar de primeira editora da gringolândia, fazia tudo o que a Marvel fazia...

E como a Marvel aumentou o preço e o tamanho dos seus gibis, a DC fez o mesmo criando a denominada DC Explosion, em que gibis novos saíam todo mês como formiga atrás de açúcar, contando com aumento de páginas para 52, graças á inclusão de reimpressões...

E aí o que fez a Marvel?

Pois cortou o preço e o numero de páginas de seus gibis para as 36 normais depois de um mês ou dois, deixando a DC sozinha pra se espatifar toda no que ficou conhecido por DC Implosion...

E esse foi o presente de despedida do titio Stan antes de ir para Hollywood...

Viu como tudo está ligado?? eheheh

Era preciso sem dúvida, e era interesse das duas editoras, resolverem a situação desfavorável criada pela desaparição dos pontos de venda, vulgo banca de rua...

Lá para o fim da década veremos como se resolveu definitivamente esse problema...

No entanto, os custos do papel, sempre aumentando e as falhas de distribuição marcaram a década de 70. Bons comics foram cancelado devido a esses problemas que eram exteriores ao processo de criação...

Ou seja os comics da era de 70 não eram maus ou piores que os de 60 ou 50 ou 40. Tudo isso era apenas problema de conjuntura econômica e falha no processo de distribuição... que o diga o titio Kirby que no auge de sua maior criação, foi forçado a parar de repente porque era impossível difundir e escoar o produto...

Vamos então aos detalhes:

Em 73:

Para acompanhar o ressurgimento do gênero 'Terror sem sangue' que havia sido iniciado no biênio anterior, foi lançado o Black Magic...

Vamos tentar atrair os fãs do esporte com histórias de glória e insólito desportivo. Aí vem o descartável Champion Sports que morreria no número 3 em 74...

Outra criação de um dos criadores do Capitão América, Joe Simon: Prez. Um jovem que chega à Presidência da gringolândia. Durou 4 números e morreu em 74...

O grande herói pulp da rádio americana se estréia nos quadrinhos DC: The Shadow !!!

E, finalmente, na altura mais imprópria, alguém se lembrou lá na DC que havia um certo personagem esquecido mas com muito sucesso chamado Captain Marvel !!! Claro que com a brincadeirinha do titio Stan registando a marca pra Marvel, o gibi foi chamado de Shazam!...

Uma reedição do Boy Commandos que estava tão deslocada da conjuntura presente que durou 2 números apenas...

Os jogos e novelas de fantasia estavam despontando, vamos acompanhar com um gibi de 5 números: Sword of Sorcery...

Bom, temos esporte...temos insólito... que tal... Strange Sports? Garantido para 5 números...

Surge um parente do magazine MAD: Plop!

Re-impressão de estórias de guerra: 4-Star Battle Tales durando 5 gloriosos números...

Junte ao anterior mais 4 números do GI War Tales...

Hora de ressuscitar os mortos:

Metal Men, 3 números

Johnny Thunder, 3 números

Legion of Super-Heroes, 4 números

Doom Patrol, 3 números

Challengers of the Unknown, 3 números

Trigger Twins, 1 número

Secret Origins, 7 números

Finalmente, os funerais:

Girl Love Stories no 180. Cada vez havia menos espaço pra romance...

Love Stories no 152, idem...

Falling in Love no 143...

O venerando Strange Adventures que nos tinha dado o Deadman e o Animal Man entre outros, sucumbiu no 244...

Wanted acabou no 9...

E, para a surpresa de muitos, os Teen Titans debandaram no número 43...

E em 74?

A tal série que destronou a Legião do Adventure Comics, a Supergirl, só durou 10 números...

A Lois Lane apesar de ter melhorado bastante devido aos temas sociais e relevantes que apresentou durante uns tempos, foi cancelada no 137...

Finalmente, o Olsen, sem Kirby, já não servia nem pra embrulhar peixe, e cedeu sua numeração ao gibi de trocentas páginas que iria reunir os pobres e desvalidos da Super-familia:

Com o número 168, aí vem o Super-Family !!!! 

Parece que demasiado terror também cansa, adeus ao Dark Mansion no número 15 e ao Sinister House no 18...

Mais outro Kirby que se vai... Demon no 16...

E outro, Mister Miracle no 18... Aliás o Kirby voltaria pra Marvel em 75, agora que o titio Stan já não controlava mais as linhas editoriais...

No insólito, o Weird Worlds também se foi no número 10...

Finalmente foram lançados:

Rima the jungle girl, tá no nome...

DC Famous First Edition: Re-impressões de gibis com as primeiras aparições de vários supers...

Mais Kirby: OMAC (grande conceito, pena que o negócio dos gibis estivesse sem direção...) e uma nova encarnação para o Sandman, com o apoio do camarada Joe Simon...

Por último, uma nota histórica: No número 16 do Weird Western, a primeira aparição do mais duradouro dos heróis DC do Oeste Americano: Jonah Hex.  Não se deve perder!...

No mais, uma época de constantes mudanças, gibis efêmeros bloqueados por um sistema de distribuição moribundo, tentativas desesperadas de achar a preferência do público, formatos variáveis tanto em preço como em número de páginas...

Autêntico desnorte da DC, que estava convivendo muito mal com o fantasma chamado Marvel. E o pior ainda estava pra vir...

A DC, acuada pela recusa das bancas em distribuir comics devido a escassa margem de lucro, pelos custos crescentes da matéria-prima (pasta de papel) e pela ultrapassagem da Marvel, estava disposta a tudo para retomar o lugar de primeira editora da gringolândia. Acho que todo mundo por aqui já sabe que desespero não é bom conselheiro e que não se deve ir com muita sede ao pote... E no meio de tudo isso, como foi que a DC tentou destronar a Marvel?

Pois, inundando o mercado de títulos novos e ressuscitados, atirando a tudo que mexia ou que a Marvel atirava também...

Tudo isso num mercado sem escoamento...

Mais alguém acha que isso só poderia dar em desastre no curto prazo?

O desastre mesmo será revisitado mais adiante, em 78.

O resultado imediato dessa política aí de cima?

Uma tonelada de títulos descartáveis com duração de 4 a 10 edições, 99% sem garra ou chama, autênticos tiros no escuro e que contribuíram para entulhar mais um mercado já saturado e, pior que isso, desvirtuar propriedades com valor criadas por excelentes profissionais no passado e agora ressuscitadas pela mão de qualquer um que os recém promovidos editores de linha achassem que podia escrever duas linhas nem que fosse só com a previsão do tempo...

E de lambuja, estragar o mercado para os verdadeiros títulos e criadores de qualidade... cada vez que penso no Kirby me dá vontade de chorar...

Enfim, aconteceu e a lição foi aprendida pela DC como veremos mais tarde...

Enquanto o trem rolava para o desfiladeiro que tinha a ponte desabada:

Nessa altura a Legião já tinha voltado e tomado conta das páginas do Superboy com desenhos de um novato de nome Dave Cockrum que mais tarde faria parte do renascimento de uns tais de X-Men. Depois dele sair para Marvel, a arte ficou por conta de um tal de Mike Grell, que depois criou a excelente série Warlord em 76 e reformulou o Arqueiro Verde novamente com estrondoso sucesso lá nos 80...

Falando da Warlord, essa foi a exceção à regra. Arte e roteiro bem acima da média e por isso mesmo durou 133 edições (!!!). Trigo de primeira no meio desse joio todo...

Os almanaques de família estavam na moda. Já havia o do Super, veio o do Tarzan a partir do gibi do Korak (filho do Tarzan) no número 59, claro que não podia faltar o do Morcegão também e o Super-Team Family para colaborações entre supers...

O Kung-Fu estava na moda e a Marvel já tinha: apresentando Richard Dragon, mestre de Kung-Fu e apresentando...

Vá, pense um pouco aí, quem era o super das artes marciais que a DC já tinha em ação desde os 60? Um doce a quem adivinhar...

Se respondeu Karate Kid da Legião dos Super-Heróis, cê tá certo !!!!

Salta um gibi pro KK que retorna ao passado do século XX para uma missão especial. Bem imaginado, eh eh...

Mitologia? Leve aí a versão Hércules da DC (Sim, a Marvel já tinha o seu Hércules no caso de você estar duvidando...)

Pré-História? Tome o Kong the Untamed com muito dinossauro e Neandertahl. Quantidade suficiente pra 5 doses. E também o Tor do Joe Kubert garantido pra 6 ...

As sempre agradáveis re-impressões: DC 1st Issue, DC Special, Four-Star Spectacular, DC Super Stars e Super-Heroes vs Super-Gorillas (nem pergunte...)

Os Conans da DC: Beowulf (validade de 6 edições), Claw (9) e Stalker com arte do Ditko (4)...

Mais casa assombrada: Haunted House com alojamento para apenas 4 fantasmas e Ghost Castle só com 3 quartos...

Baseado numa novela o Justice Inc, relatava as aventuras de uma organização fundada por um bilionário para a obtenção de justiça para os seus clientes. Só deu pra 4 edições mas a partir do 2 a arte é do Kirby...

Um álbum do Sherlock Holmes e um Super DC Giant...

E finalmente uma idéia nova: Com tanto gibi de Super, que tal gibi de vilão? Aí está o Joker com nove piadas novas, a Secret Society of Super-Villains, mais durável que a primeira e a do Kobra. Leitura recomendada...

E outra idéia nova: Luta de castas num mundo alienígena, cruzamento de Planeta dos Macacos com Dune talvez, mas bem aliciante. Dêem uma chance a Starfire...

Lembra da Fawcett? A editora do Captain Marvel? Pois havia mais personagens lá. Aí vem o gibi da Isis que como o nome indica tem seus poderes originados num amuleto egípcio...

E da Quality? Pode ficar com os Freedom Fighters, time de supers bem interessante...

E agora? Lembra do pessoal dos anos 40? Da Justice Society? Se você for observador já terá reparado que eles andam por aí desde a Idade de Prata, nomeadamente desde o Flash 123. Nessa história (Flash of two worlds), fica estabelecido que o pessoal da Idade do Ouro vive  em outra Terra pertencente a outra dimensão Earth-2 e envelheceram os 20 anos que passaram entre os anos 40 e os 60. As dimensões estão separadas por freqüências de vibração e quem possa vibrar suas moléculas na frequência de uma das dimensões entrará nessa dimensão. Muito engenhoso mesmo...

A partir daí na Liga da Justiça havia sempre todo ano uma história intitulada Crise na Terra-?? Que juntava a Liga com a Sociedade da Terra-2. Claro que depois o pessoal começou criando dimensões em que os heróis eram vilões, Terra-3, e chegaram ao ponto de criar a Terra-S para o pessoal da Fawcett , Terra-X pros da Quality, etc, etc,

Você está falando com os seus botões: "Isso ainda vai dar bronca... tanta Terra só vai dar confusão... escreva o que eu estou dizendo...".

E vai dar o maior rebu sim, mas só em 1985. Até lá, vamos assinalar o primeiro gibi de retorno da Sociedade da Justiça em sua Terra-2: o regresso da All-Star Comics !!!

E depois dessa vamos tentar mais uma de guerra? Blitzkrieg com 5 batalhas...

 Da Quality ainda o retorno do Plastic Man e dos Blackhawks

Um primeiro esforço sério de penetrar no mercado Afro-Americano: Quadrinização do seriado de TV: Kotter...

Mas não fica por aí!! Ainda tem o retorno dos Teen Titans, dos Metal Men e o mais significativo de todos... Green Lantern com roteiro de um tal de Marv Wolfman que haveria de revitalizar os Titãs com super-sucesso nos anos 80 ao lado de outro monstro: o artista George Perez...

Ainda temos tempo pra nos referir ao primeiro super Judeu: Ragman, criado por Kanigher e Kubert. Só durou 5 edições mas vale o preço da entrada...

Nos cancelamentos dos não-descartáveis temos o Weird Mysteries e o Black Magic, acompanhados pelo Shadow, o Young Romance, a Rima, o OMAC e o Sandman. Anote ainda o Tarzan Family, o Phantom Stranger, o Plop e o Swamp Thing...

Em 76 o Kirby estava de saída da DC com o Kamandi 46 e seu Quarto Mundo incompleto. Regressaria mais tarde para acabar sua obra inovadora.

Finalmente o melhor pro fim, eh eh...

E não é que a Marvel e a DC deram de publicar gibis em parceria ??????

Temos dois nesse biênio: o menos conhecido Wonderful World of OZ em 76, adaptação do filme com a Judy Garland...

E uma parceria entre...

o Super-Homem, e o Homem-Aranha !!!!!

Espetacular gibi de tamanho gigante contando toda a história do primeiro encontro entre o Kryptoniano e o Aracnídeo !!!! Sucesso colossal nas bancas, cortesia de Gerry  Conway e Ross Andru !!! Esse é imperdível, com aparição de Lex Luthor e Dr. Octopus !!!

Esse gibi abriu a porta para muitas outras parcerias e até, mais tarde, gigantescos cross-overs entre os Universos Marvel e DC. História em suas mãos, rapaz !!!! 

A DC se encontrava com um número impensável de publicações em pontos de banca pouco acolhedores devido a margens de lucro mais diminutas...

Veremos aqui que a canoa furou e afundou, transformando a Explosão DC na...

Implosão DC !!!

Vai ser titulo cancelado por tudo quanto é canto, trigo lançado ao lixo com o joio, descalabro total e impensável de uma editora agarrada a um passado confortável de liderança que queria se recuperar de qualquer jeito...

Ênfase em 'qualquer'...

Não deu... As revelações a nível de roteiro e arte estavam na Marvel neste momento e sem talento à altura era mesmo impossível. Veremos como a DC assimilou essa dura lição mais à frente, mas por enquanto iremos testemunhar a queda de um gigante... e sai de baixo....

O fato também, é que além de as idéias criativas não abundarem, os clássicos também já apresentavam uma certa saturação que provinha de longos anos de publicação...

Aquelas mudanças introduzidas no principio dos 70 já estavam sendo pouco a pouco revertidas. Assim, o Super já estava novamente semi-deus, seguindo a máxima que metade de infinito ainda é infinito... Para piorar a coisa o sempre genial Curt Swan estava agora sendo emparelhado com arte-finalistas da pior estirpe, acabando assim aquela arte maravilhosa Swan - Anderson...

O Morcegão também já estava voltando a atuar de dia e entrando na monotonia, novamente, mas... não percam de maneira nenhuma a arte do Jim Aparo no Detective e no Brave and The Bold... Pra mim esse jovem é um dos melhores artistas de sempre do Morcegão. Sigam também o Aquaman e o Spectre dele no Adventure...

A Mulher Maravilha finalmente acabou sua fase 'arte-marcial' e voltou a contar com seus poderes de amazona. Ao menos aí a coisa melhorou...

As mudanças sérias viriam nos anos 80... e não foram poucas... finalmente a coisa arrebentou definitivamente em 85 com um reboot do universo DC inteirinho. Já chegaremos lá...

Vejamos então o biênio:

O Tarzan passou pra outra editora que a DC já não tinha grana pra aguentar os direitos do personagem...As desinspiradas aventuras da Turma Titã felizmente acabaram no 53... estavam estragando minhas memórias do Nick Cardy... O Star Spangled War Stories tomou o nome de Unknown Soldier, personagem interessante e enigmático a partir do 205...O Our Army at War passou a se chamar Sgt. Rock do 302 em diante... O Black Magic foi cancelado no 6... Ragman no 5... Metal Men versão 2 no 56... DC Super Stars no 18... Our Fighting Forces no 181... House of Secrets no 154... Young Love no 126... Witching Hour no 85... Reviveram o Showcase com o 94... para acabar no 104... Inventaram um ciborg chamado Steel... por 5 edições...Shazam acabou no 35... e o Kamandi já sem Kirby no 59... Uma excelente criação do Gerry Conway, Firestorm the Nuclear Man, só teve 5 edições... felizmente seria revisitada várias vezes ao longo dos anos vindouros... Richard Dragon acabou no 18... As artes marciais estavam em desgraça...

Um album único Army at War foi lançado juntamente com outro chamado Battle Class... mas já nem a guerra estava sendo aceite pelos leitores...

Outro album: Dynamic Class... Hercules acabou no 12... Starfire no 8... Super-Team Family no 15... Isis no 8... Foi lançado o DC Comics Presents com Team-ups do Super... O Morcegão já estava abafando no Brave and the Bold faz anos... Star Hunters no 7... Freedom Fighters no 15... All-Star Comics no 74... Doorway to Nightmare no 5... Challengers of the Unknown arrebentou no 87... Mr. Miracle no 25... Claw pereceu no 12... Aquaman no 63... New Gods se eclipsou no 19...Kobra no 7... Batman Family se finou no 20... Plastic Man também... Karate Kid voltou ao futuro no 15... e o Shade se apagou no 8... Black Lightning, primeiro super negro da DC durou 11 edições... Secret Society of Super-Villians foi dissolvida após 15 reuniões... Os Blackhawk se aposentaram no 250 e o Kotter saíu de cena após 10 edições... O Binky voltou pro limbo dos quadrinhos no 82...

Desolador, não é?

Para tentar compensar, alguns lançamentos que conseguiram passar pro próximo biênio:

Haunted House no terror...

Jonah Hex no mocinho e bandido...

Men of War na guerra...

Resumindo, cortes transversais e profundos em todos os gêneros de publicação...

Veremos como a DC tentará sair do buraco mais à frente...

Sabe o que aconteceu durante os anos 70? Os gibis se tornaram item de colecionador, eh eh...

Aquela conversa da continuidade e do “'confira no Action 150 de 1951” acabou por gerar uma procura por edições atrasadas por parte dos novos leitores de gibis... As únicas alternativas eram sebos mesmo, porque nas bancas, se não vende até sair o próximo é devolvido na editora mesmo. A procura gerou interesse e originou os primeiros pioneiros exclusivamente dedicados ao comércio de gibis: as Comic Shop. A necessidade de lojas especializadas foi ainda mais acentuada pela recusa das bancas em aceitar novo material como já vimos antes. O dono da loja passou simplesmente a encomendar direto nos editores e encomendava tudo que fosse comics, até os europeus, de vanguarda, tema adulto e etc... Os leitores entravam no paraíso a cada vez que entravam numa dessas lojas especializadas, que até começaram fazendo serviço de subscrição por correio dos gibis futuros !!! Não mais existiria o risco de você perder um número que fosse de seu gibi favorito. Mais, enquanto que, com as assinaturas direto na editora, se recebia seus comics dobrados no meio, devido ao método de envio usado pelas editoras, ali vinham protegidos em saco de plástico e com costas de cartolina para melhor conservação!!!

E isso sem falar das atrasadas, que eram diligentemente compradas de colecionadores que queriam desfazer delas (porque você quando cresce já não lia seus gibis, o estereotipo que ainda persistia nesses tempos) e postas à venda de novo com uma margem determinada pela raridade ou pela ganância do vendedor. Isso estabeleceu o mercado de usados que ainda hoje é parte vital do negócio dos quadrinhos de hoje em dia. Tudo isso começou tão cedo como 1972...

Mas, as editoras demoraram a perceber o verdadeiro valor desse mercado exclusivo que estava se formando. Só no fim dos 70, confrontadas com o declínio do mercado tradicional da banca de rua é que começaram a favorecer as comic shops. E a primeira a perceber o tesouro que as comic shops representavam foi a Marvel !!!

É, a DC nessa época andava sempre atrás da concorrência, ainda mais lambendo as feridas da explosão/implosão de 75-78...

Só quando em 1980 a Marvel começou a editar os primeiros títulos (geralmente com edições em papel encerado e variante de capa) especialmente pro “direct market”, é que a DC acordou também para a verdadeira salvação do negócio que constituíam as comic shops...

Esse formato perdura até os dias de hoje e está agora finalmente em vias de ser substituído, lenta, mas seguramente pela distribuição em formato digital feita diretamente pelas editoras. Mas isso é outra história...

No momento, ficamos sabendo que a salvação dos comics como negócio passou grandemente pela fundação do mercado direto em lojas especializadas como as comic shops. Em termos da DC em si, a Idade de Bronze está caminhando para seu fim em 85... As estórias estão ficando novamente estagnadas e, como a DC estava jogando em múltiplas Terras como vimos anteriormente, a coisa também estava ficando confusa na continuidade dos personagens de todas essas Terras... e a DC estava reduzida agora aos títulos essenciais...

Uma espécie de começar de novo, e, nesse começar de novo, a DC finalmente ganhou uma da Marvel inventando um novo formato bem comum nos nossos dias: a Mini-Série !!!

Espécie de Showcase com a Limited Series a editora podia experimentar uma nova idéia, que, se tivesse sucesso, podia então originar um novo gibi sem se lançar cegamente em novas edições continuas com produção mais custosa. Outra idéia genial da DC, finalmente...

Vejamos então o que acontecia na DC em 79-80:

World´s Finest: Superman e Batman juntos. Sempre agradável de ler...

Weird West: Seria cancelado em 80 no numero 70...

Warlord: Mike Grell no seu melhor em roteiro e arte.

Unknown Soldier: O soldado sem cara em aventuras na WW2

Time Warp: Uma tentativa de ressuscitar o gênero science fiction, cancelado em 80 no número 5...

Superboy: A essa altura passou a ter “and the Legion of Super-Heroes” na capa porque esse gibi já era da Legião fazia tempo... No 259 passou mesmo a ser só Legion of Super-Heroes. Sua fase mais brilhante com roteiros de Paul Levitz e arte de Keith Giffen está aí ao virar da esquina...

Super Friends: A adaptação da animação de TV com o mesmo nome...

Sgt Rock: Ainda e sempre o veterano da WW2 com arte do Kubert...

House of Mystery: Ainda o terror e insólito nesse titulo ancião...

Green Lantern/Green Arrow: Ainda com roteiro de Denny O' Neil mas já sem o impacto da primeira série...

Brave and the Bold: Batman junto com outro(s) herói(s). Boa leitura e arte do Aparo...

Action Comics: Ainda e sempre Curt Swan embora com arte-finalistas de segunda...

Wonder Woman: A Amazona está de volta mas, sem chama...

Wierd War: Guerra + Sobrenatural...

Superman: Acho que nem é preciso dizer... Curt Swan...

Haunted House: Assombrações pra todo gosto...

Men of War: Acaba no 26... Também já chega de guerra...

Justice League America: Sempre uma leitura apetecida. Um valor estabelecido faz tempo...

Jonah Hex: Outro dos sucessos duradouros da época a par de Warlord. Roteiro de Michael Fleisher e arte de Vicente Alcazar...

Ghosts: Com um titulo desses...

GI Combat: Mais guerra...

Flash: Já em fase descendente apesar do roteirista do Super, Cary Bates e do artista do Batman, Irv Novick...

Detective Comics: Com aventuras da familia morcego toda, esse titulo é altamente recomendado porque tem muito fugitivo da Marvel por lá: Ditko, Starlin, Len Wein, o Don Heck do Homem de Ferro... O começo da invasão Marvel na DC... mais sobre isso nas próximas semanas...

DC Comics Presents: Super junto com outro(s) herói(s). Pode ler que não mata...

Batman: Roteiros de Len Wein saído do Homem-Aranha da Marvel. Leitura interessante...

Unexpected: O velhinho genero do insólito ainda entre nós...

Adventure Comics: Flash, Amazona, Aquaman, Deadman, Justice Society, Levitz, Aparo, Heck, que cê quer mais?...

Superman Family: Toda a familia Super aí dentro... e pessoal ex-Marvel também...

Dc Special Series: Suas re-impressões a preço módico...

Os novos lançamentos:

Jonah Hex Western Tales: Mini-Série de re-impressões com 3 edições.

Best of DC e DC Blue Ribbon Digest: Mais re-impressões...

All-Out War: Bater até morrer... o assunto já estava esgotado... morreu no número 6...

A primeira mini-série pessoal: World of Krypton !!! Tinha de ser do Super, pois claro... 3 edições...

E se teve do Super, podia o Morcegão não ter? Claro que não! 3 edições de Untold Tales of Batman...

Bem, o Superboy foi expulso de seu nicho na Legião, logo tem de ter as New Adventures of Superboy...

E uma nova tentativa com o Mystery in Space começando no 111... Ficção Científica com muito ex-Marvel:

 Starlin, Ditko, Heck, etc...

 E isso seria tudo se não fosse a chegada de mais dois ex-Marvel no pedaço:

Marv Wolfman do Homem-Aranha e do Tomb of Dracula, um dos melhores roteiristas que tive o prazer de seguir...

George Perez dos Vingadores, um dos poucos artistas que me provocam o efeito 'Swan' de total extase artistico...

E que foi que esses jovens fizeram?

Pegaram uma propriedade esquecida chamada Turma Titã e a lançaram numa viagem alucinante e inesquecível de vários anos. Uma viagem que releio sempre que posso... e que continua me atraindo como se fosse da primeira leitura. Sabem por quê se chama arte aos quadrinhos? Vá ler essa saga e fique por dentro. É assim de memorável, sim !!!!

Vá ler os New Teen Titans e se deixe maravilhar. Eu já vou fazer isso mesmo.

Estamos na fase descendente da Idade de Bronze dos comics e avançando a passos firmes para a Idade de Ferro em 86...

Como vimos a DC estava encalacrada com falta de talento artístico e sem hábito de formar ou atrair talentos faz anos. Aliás, o titio Stan Lee desde os anos 40(!!!) que continuamente escrevia monografias e livretos de introdução ao mundo dos quadrinhos, foi o principal responsável pela segunda geração de talentos que apareceram nos 70 e 80. Mais, até meados dos anos 70 a migração de talentos era da DC pra Marvel:

Gil Kane do Lanterna para o Aranha...

John Romita dos romances para o Aranha...

MIke Esposito da Liga da Justiça para o Aranha... esse daí até com pseudônimo para poder jogar nos dois tabuleiros... etc...

Mas a partir de 75, o sentido se inverteu:

Len Wein, criador do Wolverine passou do Hulk e do Aranha pro Batman...

Marv Wolfman, do Aranha, Quarteto Fantástico e Tomb of Dracula para o Lanterna e os Novos Titãs e mais tarde pro Super...

JIm Starlin, criador do Thanos, direto dos vingadores e do Captain Marvel para o Batman...

Isso além dos mais clássicos Ditko, Heck, etc. Que diabos está acontecendo por aqui? Bem, tudo isso é responsabilidade de um nosso velho conhecido e da DC: Jim Shooter !!!!!

Recuando um pouco no tempo:

Em 74, o super-mascate e Deus absoluto dos quadrinhos Stan Lee se aposentou de escrever gibi. Aliás o rapaz sempre quis escrever a Grande Novela Americana e aproveitou sua nomeação para o cargo de Presidente da Marvel Comics para ir vender desenho animado em Hollywood.Daí que o cargo de editor-chefe passou pra segunda geração: Roy Thomas, Len Wein, Archie Goodwin, Marv Wolfman. Só que aí veio aquele problema das bancas, do papel, etc. E então o pessoal da grana resolveu contratar alguém que estava de volta aos gibis depois de ter concluído sua educação: Jim Shooter !!!

Infelizmente isso foi pela altura que o autor/artista de gibi estava se convencendo que era estrela de Hollywood (as convenções, com contato direto com os fãs, contribuíram pra isso) e começava fazendo reivindicação, exato como roqueiro. E o Jim era muito certinho, tanto com a grana como a pedir responsabilidade pelos atrasos ou quebra de qualidade no produto. Ao ponto de ultrapassar suas obrigações e metendo o nariz em tudo que era roteiro e arte produzido na Marvel.O ambiente deteriorou completamente e o pessoal, sendo convidado a sair ou de livre vontade, procurou o gigante caído, DC, que acolheu todo mundo de braços abertos...

E a DC só ganhou com isso. O estilo Marvel foi pouco a pouco sendo absorvido pela DC dando origem a criações relevantes e a um reboot de todo o Universo DC. E assim, com novo talento criativo e uma linha editorial corrigida a DC se preparava para seu renascimento em 85.

Vejamos o que acontecia na DC em 81-82:

As mini-séries eram definitivamente do agrado dos leitores:

Tales of the Green Lantern Corps

Secrets of the Legion of Super-Heroes

Phantom Zone

Tales of the New Teen Titans

Krypton Chronicles  

As séries de re-impressões Dc Blue Ribbon e Special Series foram canceladas.

Também o Unknown Soldier, Super Friends, Haunted House, Ghosts, Unexpected, Super Family e Mystery in Space foram canceladas.

Para acomodar a Familia Super agora sem casa, foi criada a Daring Adventures of Supergirl. Infelizmente essa personagem só seria aproveitada magistralmente por um tal de Peter David um pouco mais tarde. Tenho constatado que personagem feminina é difícil de roteirizar por roteirista homem... mundos diferentes sem dúvida...

Vindo do nada, uma excelente maxi-série de 12 edições: Camelot 3000 do Mike Barr e do super Brian Bolland. A não perder !!!!

Mais uma vinda da Marvel: O genial Gene Colan !! E uma reunião do time do Tomb of Dracula em outro titulo do sobrenatural: Night Force !!!

Um verdadeiro tesouro de leitura obrigatória moçada: Swamp Thing de Martin Pasko e John Yeats !!! e espere só até chegarem o incomparável Alan Moore e o extraordinário Stephen Bissette lá pelo número 20 !!!! Essa saga é antológica!!! Sting dos Police nos quadrinhos como John Constantine no horizonte!!! Se perder essa daí, você vive em outra Galáxia!!!!

Fury of Firestorm do ex-Marvel Gerry Conway. Ótima série. Boa leitura.

Arion, Lord of Atlantis: Conheça o antepassado do Aquaman nessa série.

Outra tentativa de ressuscitar os Blackhawks...

Também do nada: Uma série de animal falante: Captain Carrot. E o primeiro número tem a participação do... Super-Homem!!!

Um especial da vidente do Tarot: Madame Xanadu!!!

O grande regresso em força da Justice Society e da Terra-2 no All-Star Squadron do ex-Marvel: Roy Thomas!!!! Não dá para perder!!

E de lambuja, também do enorme Thomas, Arak, Son of Thunder, no seu já conhecido estilo Conan !!!

E, por favor, não esqueça de forma alguma o começo da melhor fase de todos os tempos da Legião a partir do #284 com Paul Levitz como argumentista e um pouco mais tarde Keith Giffen como artista !!! Imperdível... mesmo !!!

Está vendo como a DC está se recuperando graças a uma infusão de talento da Marvel? Durante mais uns anos vai ser só subir.

Era uma vez, num país de cavaleiros, castelos e dragões, para lá do grande oceano, que um iluminado mago resolveu editar um gibi de ficção científica contando com a colaboração dos novos talentos dos quadrinhos que vinham surgindo lá naquele reino. O ano era 1975, o reino era a Inglaterra e o nome do gibi era 2000AD. Nele debutaram nomes como Alan Moore, Brian Bolland, Grant Morrison, Neil Gaiman, ou seja, nomes que brilharam e brilham ainda bem alto na constelação dos autores de histórias em quadrinhos. Em meados de 80 logo depois dos exilados da Marvel começarem invadindo a DC, esses caras aí de cima começaram despertando a atenção do editorial da DC. E o resto é o Swamp Thing do Moore, a Killing Joke do Moore e Bolland, o Animal Man do Morrison, o Sandman do Gaiman, etc, etc, etc...

E assim começou a invasão inglesa da DC com resultados avassaladores tanto pra DC como pros comics em geral. Essa infusão de talento de além-mar foi super positiva pra DC e mais tarde por arrasto, para a Marvel também.

O maior sinal dela nesse biênio é o começo no número 20 da participação de Alan Moore no Swamp Thing e só por aí já dava pra ver que seria de arromba. O Moore também era bamba escrevendo para o Super-Homem e quem não leu os últimos dois gibis do Super antes da renovação pós-crise de 85 escritos por ele, não sabe o que está perdendo. É uma história em duas partes, chamada Whatever Happened to the Man of Tomorrow?, com a última arte do Super Curt Swan como artista principal do Action Comics e do Superman... está demais!

Enquanto isso na DC todo esse talento estava germinando muitas idéias, algumas delas de enfoque para lá de grandioso... e ambicioso.Veremos mais adiante, com o mega projeto de reboot: Crisis on Infinite Earths...

Apesar de entrarmos na rampa de lançamento dessa mega-hiper produção, a primeira do seu gênero, a vida do dia-a-dia não parava e o pessoal recém-chegado começava agitando as coisas...

O Super estava pouco menos do que abandonado. Já nem a arte do Swan era regular no Action e no Superman, roteiristas de segunda entremeados com o veterano Cary Bates, etc...

O Batman, em oposição, estava mais interessante, roteiros do Doug Moench (ex Master of Kung-Fu da Marvel) e no Detective arte do Gene Colan. Cisão com a Liga da Justiça e formação de um novo grupo: Batman and the Outsiders. Também um novo Robin no pedaço: Jason Todd flagrado pelo Batman a roubar os pneus do Batmóvel. E porque um novo Robin? Porque, em um dos dois títulos estrelas da DC na época, New Teen Titans o genial Wolfman, fez o que devia ter sido feito há muitos anos: O Robin já está concluindo universidade !! Ainda anda de calção verde por aí???

Finalmente alguém tem coragem de acabar com o Robin. O cara finalmente se toca que já é adulto, se emancipa de vez e passa a responder ao codinome de Nightwing !!!! Abençoado Wolfman !!!!

Claro que a idéia de dar um novo Robin mais linha dura ao pobre do Batman não deu muito bom resultado... veremos adiante.

E a Maravilha? A Maravilha também estava melhorando muito. Roteiro do Dan Mishkin, não um primeira linha, mas, de maneira alguma um 'descartável' e arte do Don Heck (co-criador do Homem de Ferro nos 60). E o Heck ainda tinha muita arte naquele aparo...

Falando na Liga da Justiça, esse pessoal debandou a seguir ao Batman bater com a porta e só ficaram o Aquaman e o Martian Manhunter cuidando de jovens imberbes... isso só vai dar desastre...

Mas as estrelas da época eram o New Teen Titans e o Legion of Super-Heroes do Wolfman e do Perez e do Levitz e do Giffen, sem dúvida alguma. E tão estrelas eram que passaram a ter dois novos titulos que sairam para o mercado direto em papel encerado da melhor qualidade (o chamado Baxter) e para as bancas com papel normal. A DC finalmente reconhecia a contribuição das comic shops para os seus lucros mensais. Esses dois titulos são os New Titans (vamos lá entrar na idade adulta, gente) e o Legion of Super-Heroes. Os antigos passaram a ter o prefixo 'Tales of the' e passados uns meses de publicação de originais em simultaneo com os novos, entraram em ciclo de re-impressões, sendo cancelados um ou dois anos depois.

No restante, a volta das reimpressões com as minis DC Masterworks e Green Lantern/Green Arrow. Minis também do Green Arrow, do Atom e de temática diferenciado como a mini Dusk ou a Power Lords...

Ainda nas minis uma super-surpresa: Kirby regressa para acabar de vez a saga do Fourth World !!! A não perder as minis Super Powers (a única história com a Liga da Justiça escrita e desenhada pelo Mestre) e a New Gods. Pra não perder, mesmo !!!!

E outra ainda:

Conseguiram convencer o grande Frank Miller a escrever uma mini pra DC:

Ronin em 6 edições !!! A arte desse cara é colossal!! Fantástico!!

Destaque ainda para os especiais do primeiro filme do Super. Grande sucesso nos cinemas. O especial do Manhunter remodelado, com roteiro do Archie Goodwin e arte de um nome que viria a ser bem sonante: Walt Simonson. Ainda um especial de um personagem secundário do Morcegão: o Man-Bat...

Como lançamentos, a volta da série de fantasia Amethyst que dessa vez durou 12 números. Acho que essa personagem merecia um pouco mais de atenção, mas assim não aconteceu...

Também a série Thriller durou 12 números...

As edições Graphic Novel estavam na moda na Marvel e assim... nasceu a DC Graphic Novel, obras diferentes de talentos novos e consagrados...

Já havia dito que o Batman bateu com a porta da Liga da Justiça e assim o novo grupo do Batman passou a sair no Batman and the Outsiders. Roteiro do Mike Barr e arte do... Jim Aparo!!!!! Não percam!!!!

Todos os gibis de sucesso originam gibis associados, New Teen Titans não foi exceção. Assim, vieram os “Omega Men”, heróis de outro sistema solar e o “Vigilante”. Esse não é aquele caubói de moto dos 50 e 60. Esse é um clone de uma criação da Marvel que simbolizou perfeitamente a Idade do Ferro dos quadrinhos, o Punisher. Psicótico com muitas armas, resultado direto da guerra do Vietnã, matando tudo que é criminoso que encontra pela frente. Não sabe o que é a Idade do Ferro no seu pior? Vai ler o Punisher. Está tudo lá. Fronteira moral completamente esbatida (aquilo já nem é cinza, já é negro mesmo...), ambiente hiper-realista, toda a mulher é vadia, todo o homem pederasta e chuva de bala e faca em cada edição. Os anos 90 no seu mais negro. Se gibi era escape, agora é primal. Se gibi era divertido agora é obsessivo. Se gibi era pra criança agora é pra adulto sem esperança na vida.

Voltando na DC. Pois esse Vigilante era um clone do Punisher assinado pelo Marv Wolfman. Sendo da DC e do Wolfman era muito mais diluído que o original. Mesmo assim, não é a minha turma... Coisas piores viriam por aí. Outra coisa que estava surgindo para competir fortemente com os comics pela atenção dos leitores eram o PC e as consolas de videojogos. Nesse caso, pelo contrário temos os gibis ajudando a vender videogames: Atari Force !!!

Outros lançamentos: 

Sun Devils e Spanner's Galaxy na fição cientifica...

Jemm, son of Saturn, uma espécie de Martian Manhunter...

Blue Devil, herói sobrenatural...

New Talent Showcase, como o nome indica, um gibi para mostrar o trabalho de novos talentos...

e ainda: Grande série do suspeito do costume Roy Thomas também baseada na Terra-2 como o All-Star Squadron: Infinity Inc. Não percam porque essa daí também foi premiada !!!

Finalmente, a vinda do Star Trek para a DC incluindo o especial do terceiro filme. Obrigatório para os trekkies e não só...

Restam ainda os cancelamentos:

Night Force, House of Mystery, Brave and the Bold, Weird War Tales, Blackhawk, New Adventures of Superboy.

Ainda de salientar o regresso em força das edições Anuais tão tipicas na Marvel.

Hummm... as noticias dizem que o céu está ficando vermelho por todo o planeta... E um satélite desconhecido parece estar observando todas as Terras em todo o Multiverso... Estamos chegando no fim de uma era... e numa Crise sem precedentes...

 

Texto e Pesquisa: Paulo Marques (Lisboa)

Apoio técnico: Paulo Ricardo Abade Montenegro (Rio Grande do Sul)

 

 

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